22 de abril de 2012

A hora de Goiânia (1ª cidade brasileira em qualidade de vida)




Pesquisa da Organização Brasil América aponta a capital como a 1ª cidade brasileira em qualidade de vida.

O carioca Evandro Trindade mora em Goiânia há dez anos. Ele veio para trabalhar como executivo de uma empresa de comunicação. Mudou para São Paulo para ajudar na implantação de uma rede de notícias. Chegou um momento na carreira em que o administrador de empresas teve de optar entre a capital carioca e a paulista. Escolheu a capital goiana. “Pela qualidade de vida”, revela. Diretor executivo do Goiânia Convention & Visitors Bureau, Evandro colabora no estímulo ao turismo na cidade.


O Convention Bureau, localizado num anexo do Centro de Convenções, é uma fundação sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada, que representa mais de 220 associados. “O objetivo do Convention Bureau é fomentar o turismo em Goiânia. É um agente facilitador que atua num determinado conjunto de interesses. Um parceiro do município e do Estado no incentivo ao fluxo turístico”, diz Evandro. Ele assume o papel de fazer com que mais pessoas reconheçam as vantagens que ele mesmo enxergou.


Informação sobejamente conhecida e, nem por isso, suficientemente divulgada, Goiânia figura entre as capitais com melhor Índice de Qualidade de Vida (IQV) no Brasil. Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 2005 colocou Goiânia no segundo lugar do pódio, atrás de Brasília, com uma pontuação quase 28% acima da média da população nacional.
Uma segunda pesquisa realizada pela Organização Brasil Américas, que cruzou dados do Ministério das Cidades e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entronizou Goiânia no primeiro lugar do ranking em 2008. O IQV resulta da média aritmética dos indicadores de nível e condição de vida e qualidade do meio ambiente.


O nível de vida consiste na média aritmética da renda per capita, domicílio e ocupação familiar, pessoas desocupadas e veículos. A média da condição de vida abrange saúde, educação, longevidade e segurança. Por fim, mas não por último, a qualidade do meio ambiente está sujeita ao cálculo de área verde, espaços livres, esgotos domésticos, abastecimento de água potável, resíduos sólidos urbanos e de serviços de saúde. A classificação do IQV pode ser péssima, ruim, média e boa.


“Goiânia possui 94 metros quadrados de área verde por habitante”, lembra Evandro. “Superamos Curitiba e perdemos para Edmonton, no Canadá, a campeã mundial com 100 metros quadrados de área verde por habitante.” A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que uma cidade tenha pelo menos 12 metros quadrados de área verde por habitante. Os mais de 20 parques implantados por aqui materializam os cálculos.
Profissionalização


Outro dado importante que Evandro ressalta tem a ver com o Estudo de Demanda Internacional, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, publicado no Boletim Dados do Turismo em Goiás, disponível no site do Observatório do Turismo. De acordo com o Estudo, 39 mil pessoas foram entrevistadas em 15 aeroportos internacionais. Entre os 19 locais mais visitados em 2010, Goiânia ocupa a 15ª posição.
São Paulo e Rio de Janeiro estão, respectivamente, em primeiro e segundo lugar e isto não representa nenhuma surpresa. Surpreende que Goiânia coloque-se à frente de cidades como Recife, Macaé, Fortaleza e Vitória e muito próxima de Angra dos Reis e Parati, em 14º e 13º lugar. Levando em consideração que as concorrentes são banhadas por um garboso litoral, a posição de Goiânia ganha destaque ainda maior.


“O Centro-Oeste está sendo descoberto”, analisa Evandro. “Somente 0,5% do seu potencial turístico é explorado. Temos um longo caminho pela frente e muito trabalho por fazer.” O turismo em Goiânia é muito associado a eventos e congressos de negócios, ao empreendedorismo. Mas o lazer ganha espaço na agenda dos visitantes, começando pela gastronomia. A hospitalidade goiana é ponto de partida para o ecoturismo, que se estende às belezas do interior do Estado.

Desafios
Nem tudo são flores em praças acolhedoras e simpáticas. Evandro considera que a rede hoteleira necessita de investimentos polpudos em expansão física e profissionalização da mão de obra. E que as políticas públicas precisam ser entrelaçadas com iniciativas privadas na busca de soluções para entraves burocráticos. A organização do trânsito na capital e a conservação das rodovias de acesso são problemas urgentes que pedem providências constantes. A atenção permanente com o aeroporto é crucial com a chegada da Copa do Mundo de

Futebol.

As grandes questões são vizinhas de questões menores, porém, não menos importantes. “O Convention Bureau perde arrecadação quando os hoteleiros deixam de recolher a taxa turismo”, exemplifica. “A cobrança não é obrigatória. A taxa varia de R$ 0,40 a R$ 2. Mas é importante para a manutenção do Convention. Estamos num processo de conscientização, em parceria com a rede hoteleira, para que ela seja respeitada.”

A impressão que fica é que, se estamos longe do ideal, caminhamos com propriedade para atingir um grau de sofisticação no turismo, que signifique a exploração das riquezas sem a depredação do patrimônio, com evidentes benefícios para um estilo de vida capaz de preservar o jeito interiorano sem perder de vista as inovações contemporâneas. Se parece contraditório, é porque o desafio é grande.

Fonte: Jornal O Hoje
Foto: Joventino Neto