14 de março de 2012

Comércio de carros usados amarga crise


As revendedoras independentes de veículos usados e seminovos de Goiás registram queda de 30% nas vendas desde o final do ano passado, segundo Associação das Revendedoras de Veículos Automotores de Goiás (Agenciau­to). Em função dis­so, os preços também caíram, mas não a pon­to de atrair mais consumidores às lojas. Nas garagens, as dificuldades são ain­da maiores, segundo gerentes de vendas. Eles afirmam que as vendas caíram pela metade e temem que o setor demore a se estabilizar.
Segundo o representante da Agenciauto, Josevan Marcelino da Silva, os preços de veículos usados e seminovos já caíram entre 5% e 8% nas lojas desde o final do ano passado. O chamariz não tem servido de atrativo para a clientela, ainda cautelosa com as dívidas e com menos acesso de crédito na praça. Excesso de burocracia e o aumento de restrições na aprovação de cadastro por parte de bancos e financeiras completam o quadro de agravantes.

No feirão do estacionamento do Estádio Serra Dourada, o segundo maior do País, os negócios são feitos diretamente entre vendedor e comprador, o que impossibilita uma estatística de vendas, conforme o diretor comercial do local, Marcus Cintra. Mesmo assim, ele diz que, desde janeiro, houve alta no número de carros ofertados semanalmente. Em época de mercado aquecido, passam pelo lugar cerca de 1,5 mil carros todos os domingos. Desde o início do ano, houve um aumento de quase 300 veículos por domingo. “Maior oferta é sinal de que os negócios não estão fáceis. Quanto mais difícil vender, mais a feira enche”, diz Cintra.

Para Josevan, os revendedores conseguem conservar os negócios graças às reservas que mantêm e, em alguns casos, às vendas de carros novos. Ele conta que as restrições começaram após a valorização do real frente ao dólar e cresceram por causa da alta na inadimplência, após a liberação desmedida de crédito. “Começamos a perceber uma melhora neste mês de março e há uma tendência de que o mercado volte a se estabilizar daqui para frente”, explica.

Nas lojas, o cenário ainda é pior. Dono da Negociauto, Marcelo da Silva Borges, que está no mercado há 21 anos, lembra que a última crise desta gravidade no setor foi em 1993, durante o Plano Collor. Além da restrição de crédito e aumento de juros, a disseminação de leilões de automóveis pela capital também dificulta os negócios do setor. “Temos notícias de que a Polícia Federal vai investigar isso. São carros sem procedência, trazidos de outros Estados e que nem sempre estão dentro da lei”, conta.

A crise também atinge revendedoras de carros utilitários. Gerente de vendas da Rima Veículos, Fernando Alves de Camargo Morais informa queda de 50% nas vendas de pickups e outros veí­- culos como a kombi. “Em novembro, não conseguíamos repor a loja. Hoje, temos 18 kombis paradas”, explica Morais.

Fonte: Jornal O Hoje (André Passos)