5 de outubro de 2011

Agressões ao Ribeirão João Leite

Katherine Alexandria

Construções que não obedecem a distância correta das nascentes e margens, lavouras próximas ao reservatório de água, queimadas, erosões, lançamentos clandestinos de esgoto e até um desmatamento bem ao lado do Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco, em uma Área de Proteção Permanente (APP). Estes crimes contra o meio ambiente, em Goiânia, puderam ser observados durante o primeiro levantamento aéreo feito pela Polícia Civil na manhã de ontem ao longo do Ribeirão João Leite.

Denominada Operação Água Viva, a ação, realizada pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Ambientais (Dema), detectou pelo menos 50 irregularidades logo nos primeiros voos entre Goiânia, Teresópolis, Goianápolis e Ouro Verde. O objetivo é pontuar os crimes ambientais, autuar os responsáveis pelos danos em flagrante, e os que não forem encontrados serão notificados pela Polícia Civil.

O delegado titular da Dema, Luziano de Carvalho, disse que são tantos os casos flagrados que vai listar os piores para acompanhar de perto e buscar explicações dos responsáveis. “Encontramos três desmatamentos muito grandes. Fiquei extremamente preocupado. Pensava que não tinha isso mais”, disse. Chamou-lhe atenção ainda uma voçoroca de grande proporção encontrada em Goianápolis. O fato, para ele, é demonstração clara de uso irregular do solo. “Se continuar assim, vamos diminuir o tempo de vida útil do reservatório da barragem do João Leite, que tem uma função muito importante para o bem-estar da sociedade”, diz.

Outro fato que intrigou o delegado foi a localização de um canteiro de obras da Saneago, que, ao que tudo indica, não estaria longe o suficiente da margem do reservatório. Luziano vai propor que seja feita relocação e declarou à reportagem que a Saneago já teria se prontificado em rever o ponto escolhido para construir. A obra foi autorizada pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), em maio deste ano, e vai implantar barreiras de proteção ao longo do reservatório contra cargas perigosas. Essa foi uma demanda, inclusive, do delegado Luziano. Ele é a favor da intervenção, mas ressalta a importância de reavaliar a localização e o impacto ocasionado.

Vital para a sociedade
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Edemundo Dias, já no voo inaugural com o helicóptero Koala – adquirido em dezembro do ano passado com recursos do governo federal e estadual –, realizado na quinta-feira (29), foi possível perceber a degradação do Meia Ponte e de seu afluente, o João Leite. “Essa é a primeira operação e nós escolhemos a questão ambiental porque é vital para a sociedade, e também para chamar a atenção para esse problema”, explica.

Fonte: Jornal o Hoje