17 de julho de 2011

Goiás é o que mais atrai imigrante


Estado foi o que recebeu maior quantidade de pessoas vindas de outras partes do País entre 2004 e 2009.

"Marly veio de Recife e sente-se bem em Aparecida de Goiânia(RMGYN). Só pede agora que melhorias cheguem ao bairro onde mora, o setor Rosa dos Ventos"

Goiás e Espírito Santo foram os dois estados brasileiros que mais acolheram novos moradores entre 2004 e 2009, sendo classificado de área de média absorção migratória. Foi o que revelou o relatório Deslocamentos Populacionais do Brasil, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Centro-Oeste apresentou um saldo positivo de migrantes na troca com todas as regiões, o que pode significar que a região é um novo polo de atração da população das demais regiões brasileiras.

Apesar desse quadro, o estudo mostrou que reduziram os deslocamentos internos, havendo um equilíbrio entre evasão e absorção migratória em 15 das 27 unidades da federação. Os dados do IBGE mostram que o volume da migração entre regiões caiu de 2,8 milhões no quinquênio 1999-2004 para 2 milhões de pessoas entre 2004 e 2009.

O relatório analisou os movimentos migratórios dentro do Brasil a partir dos dados do Censo Demográfico 2000 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 2004 e 2009. O estudo foi enriquecido ainda pelos primeiros resultados do Censo Demográfico 2010, proporcionando uma visão mais atual e geral dos principais eixos de crescimento do país, as cidades com menos de 500 mil habitantes, embora as metrópoles continuem concentrando 30% da população brasileira.

Equilíbrio
Em 2009, Goiás recebeu 264. 087 pessoas e outras 135. 031 deixaram o estado em direção a outros pontos do país, o que revela um certo equilíbrio de deslocamentos, mas com saldo migratório positivo para o Estado. Os migrantes chegaram do Distrito Federal, além de vários estados, como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins e Maranhão.

Chefe da unidade goiana do IBGE, Daniel Ribeiro de Oliveira explica que os interesses dos migrantes por Goiás são distintos. "Gaúchos e paranaenses vêm em busca da fronteira agrícola; paulistas estão de olho nas atividades comerciais e industriais, além de serviços; e nordestinos querem emprego e benefícios sociais, como saúde e educação". Esses últimos, segundo ele, costumam chegar e atrair os demais familiares que também enfrentam dificuldades na região Nordeste, onde políticas públicas são mais incipientes.

Mas o Nordeste apresenta uma faceta diferente neste relatório sobre deslocamentos internos do IBGE. A região não perde mais seus habitantes como antes. Estados como Bahia, Maranhão e Piauí foram classificados como de baixa evasão migratória. O único estado que apresentou números que o identificam como de média evasão migratória é Alagoas.

O crescimento de localidades na região metropolitana de Goiânia, como Senador Canedo, Aparecida de Goiânia, Goianira e Nerópolis explicam a movimentação migratória. "O custo de moradia é menor nesses municípios, que possuem transporte coletivo como se fossem bairros de Goiânia", afirma o chefe do IBGE em Goiás.

Na capital, nos últimos anos, os empregos têm atraído trabalhadores, principalmente no setor da construção civil. Dentro do que revelou o relatório sobre eixos de crescimento, municípios goianos como Catalão, Rio Verde, Mineiros, Cristalina, Chapadão do Céu, este último com excelente índice PIB per capita e menor taxa de analfabetismo de Goiás, têm atraído imigrantes.

Seguindo em direção ao norte do estado, Goianésia que possui indústria de atomatado e usinas de álcool, é o município que mais cresce na região. "Em cidades com melhor estrutura, uma pessoa vem e puxa os demais familiares", explica o chefe da unidade goiana do IBGE. Para Daniel Ribeiro, cidades como Porangatu e Uruaçu poderiam revelar uma maior absorção migratória se houvesse continuidade de obras públicas capazes de gerar empregos, como a ferrovia Norte-Sul, cuja construção se arrasta há anos.

Novo arranjo
Para os pesquisadores, Goiânia (GO), junto com Brasília (DF), reestruturaram o sistema urbano brasileiro criando um novo arranjo espacial no centro do País. "Goiânia é uma aglomeração urbana dinâmica e elemento importante na estruturação do espaço regional, tornando-se pólo de relações comerciais no Centro-Oeste", diz o relatório. A capital goiana integra o grupo de 15 cidades de grande porte que apresentaram no período analisado uma faixa de crescimento entre 1,5% e 3% ao ano.

De acordo com o IBGE, com status de metrópole nacional e principal centro de gestão pública do país, o Distrito Federal e seu entorno continuam atraindo imigrantes, embora com menor intensidade do que entre os anos 90. Para André Ribeiro, o dinamismo populacional da região, apesar do saldo migratório ainda positivo, pode ter caído pela ausência de políticas públicas. "Se houver programas para inserção de benefícios sociais para o entorno do DF, como pediu esta semana o governador Marconi Perillo à presidente Dilma Roussef, isso pode mudar".

O estudo do IBGE apontou também o aumento dos deslocamentos pendulares - de pessoas que estudam ou trabalham em outras cidades - e o esgotamento da expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste, que está provocando o retorno de migrantes para estados como Rio Grande do Sul e Paraná. Em 27% dos municípios brasileiros, segundo a análise dos pesquisadores, houve perda de população, representando espaços estagnados do ponto de vista do desenvolvimento. Nesse cenário, quatro cidades consideradas de porte médio foram destacadas no relatório: Foz de Iguaçu (PR), Ilhéus (BA), Lages (SC) e Uruguaiana (RS).

Fonte: O Popular