Metrô em Goiânia: o que aconteceu com o projeto que prometia transformar a cidade?

Mauricio Cardoso
Mauricio Cardoso 9 meses atrás - 4 minutos de leitura

Metrô em Goiânia: o que aconteceu com o projeto que prometia transformar a cidade?
Metrô em Goiânia: o que aconteceu com o projeto que prometia transformar a cidade?

Falar sobre metrô em Goiânia é tocar em um dos sonhos mais antigos e, ao mesmo tempo, frustrantes dos moradores da capital.

Há décadas, a promessa de um sistema de transporte sobre trilhos paira no ar, vista como a solução definitiva para o trânsito cada vez mais desafiador.

Mas, afinal, em que pé estamos? O metrô goianiense é uma possibilidade real ou continuará sendo apenas um projeto no papel?

Para um site de notícias como o GoianiaBR, é fundamental ir além do “vai ter ou não vai ter”. Vamos mergulhar na história, entender o projeto atual, os desafios e o que o futuro realmente reserva para a mobilidade urbana da nossa cidade.

O que este artigo aborda:

Do metrô ao VLT: a evolução do projeto

Primeiro, é importante esclarecer um ponto: embora o termo “metrô” seja popularmente usado, o projeto que esteve mais perto de se concretizar nos últimos anos é o de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Diferente de um metrô subterrâneo, o VLT opera na superfície, de forma mais integrada à paisagem urbana e com custos de implantação menores.

O projeto principal, que chegou a ter verbas federais garantidas através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), previa a construção do Eixo Anhanguera Leste-Oeste.

A ideia era substituir o atual sistema de ônibus do Eixo por um modal mais moderno, rápido e com maior capacidade.

Como seria o trajeto do VLT em Goiânia?

O plano mais consolidado para o VLT previa um trajeto de 13,6 quilômetros, conectando o Terminal Padre Pelágio, no oeste, ao Terminal Novo Mundo, no leste da capital.

O percurso passaria por pontos nevrálgicos da cidade, incluindo:

  • Avenida Anhanguera (em toda a sua extensão central)
  • Bairro de Campinas
  • Centro de Goiânia
  • Praça Cívica
  • Praça da Bíblia

O sistema foi projetado para transportar cerca de 15 mil passageiros por hora em cada sentido, o que representaria um alívio significativo para o sobrecarregado Eixo Anhanguera.

Sugestão de Mídia: Inserir aqui um mapa visual do trajeto proposto para o VLT, destacando os terminais e os principais pontos do percurso na Avenida Anhanguera.

O que impede o metrô em Goiânia de sair do papel?

Se o projeto parece tão benéfico, por que ainda não vemos os trilhos na cidade? A resposta é uma combinação complexa de fatores que se arrastam há anos:

  1. Custos e Financiamento: Apesar da verba federal inicial, o projeto exigia uma contrapartida significativa do estado e do município. Com o passar dos anos, os custos foram reajustados para cima, tornando o desafio financeiro ainda maior.
  2. Questões Políticas e Burocráticas: A alternância de governos, mudanças de prioridades e a complexa burocracia envolvendo licitações e desapropriações sempre foram grandes obstáculos. O projeto se tornou uma “novela” com muitos capítulos e poucos avanços práticos.
  3. Modelo de Concessão: Definir o modelo de parceria público-privada (PPP) que seria responsável pela construção e operação do sistema também se provou um processo lento e cheio de impasses jurídicos e técnicos.

Em 2024, o Governo de Goiás anunciou a intenção de retomar projetos de mobilidade, mas o foco parece ter se deslocado para a expansão do BRT (Bus Rapid Transit), como o BRT Norte-Sul, deixando o futuro do VLT ainda mais incerto.

Perguntas frequentes sobre o metrô de Goiânia

  • Goiânia vai ter metrô? No curto e médio prazo, é improvável. O projeto de um metrô subterrâneo é considerado inviável pelo alto custo. O projeto mais próximo foi o do VLT, que atualmente está paralisado.
  • Qual o valor estimado do projeto do VLT? As últimas estimativas, já desatualizadas, giravam em torno de R$ 1,5 bilhão. Hoje, esse valor seria consideravelmente maior.
  • Existe alguma alternativa sendo planejada? Sim. O foco atual do governo estadual e da prefeitura está na expansão do sistema de BRT, que possui um custo de implantação menor e pode ser executado em um prazo mais curto.

Conclusão: um sonho em compasso de espera

O metrô, ou VLT, de Goiânia continua sendo o grande desejo de quem enfrenta o trânsito da cidade diariamente.

Ele representa mais do que apenas um meio de transporte; simboliza modernidade, eficiência e qualidade de vida.

Enquanto as autoridades focam em soluções mais imediatas como o BRT, o projeto sobre trilhos permanece adormecido, aguardando um novo cenário político e econômico que permita, finalmente, transformar esse antigo sonho em realidade.

Para o cidadão goianiense, resta a esperança de que um dia possa trocar o ônibus lotado por um vagão moderno e pontual.

Mauricio Cardoso
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