26 de abril de 2011

Investimentos crescem quase 80% em Goiás



Nos primeiros quatro meses do ano, foram assinados contratos no valor de R$ 564 milhões em Goiás

Industriais, comerciantes, prestadores de serviços e produtores rurais aceleraram o ritmo de investimento em 2011 no Estado de Goiás. Somente nos quatro primeiros meses do ano, os empresários e produtores rurais, usando linhas de crédito do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) ou contratando o benefício financeiro do Programa Produzir, anunciaram investimentos de R$ 564 milhões. O valor é 78,1% acima do investido com as mesmas fontes de recursos no mesmo período do ano passado, que foi R$ 316 milhões.

Nessa conta, não se considerou recursos próprios ou de outras fontes que não o FCO e o Produzir-Fomentar. Para o consultor Elemar Pimenta, se consideramos todas fontes de investimentos, inclusive com recursos próprios, neste primeiro quadrimestre os investimentos podem ter ultrapassado R$ 1 bilhão. "Os empresários estão otimistas e a economia goiana passa por um bom momento", disse Elemar Pimenta.

O empresário Leandro Martins Silva, diretor da Áurea Engenharia, relacionava os empréstimos do FCO a financiamento de projetos rurais. "Não estava considerando essa possibilidade de recursos do FCO até que o gerente do banco me orientou. Em 30 dias, foi feito o projeto e aprovada a carta-consulta."

O recurso captado pela Áurea Engenharia, R$ 400 mil, será utilizado pela empresa como capital de giro para lançamento e espaço de vendas de um prédio de 13 andares próximo ao Shopping Flamboyant. "Vamos usar o recurso do FCO para elaboração de projeto de lançamento e marketing. Será nosso maior empreendimento. Estamos investindo R$ 8 milhões em um prédio com apartamentos de um e dois quartos. Fizemos uma pesquisa de mercado que apontou essa região e este formato de empreendimento", disse Leandro.
"Como o dinheiro foi liberado, em 30 dias vamos iniciar a demolição do imóvel que está no terreno e vamos montar o plantão de vendas."

Se no volume total os recursos liberados de janeiro a abril superam o mesmo período em 78,1%, considerando apenas os recursos do FCO, o salto é de 170%. Segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio, foram liberados R$ 194 milhões nos primeiros quatro meses do ano passado pelo fundo, contra R$ 524 milhões neste ano. A previsão é que Goiás receba mais de R$ 1,3 bilhão em 2011.

Para o consultor e projetista Elemar Pimenta, o empresário que quer investir com recursos do FCO tem de ficar atento, pois os recursos são limitados e o prazo para fazer o projeto varia de acordo com o tamanho do projeto. Entre a produção e aprovação, pode demorar de 20 dias a 90 dias, comenta ele. "Historicamente, os recursos acabam no primeiro semestre", lembrou.

O Produzir, programa de benefícios financeiros do governo estadual, é outra fonte de investimentos no Estado. Destinado a projetos industriais, o programa financia empréstimo pela Agência de Fomento de até 73% do ICMS que o beneficiário pagaria com juros baixos e abatimentos em caso de cumprimento de metas sociais e econômicas.

Os projetos aprovados pelo Produzir e Fomentar, programa de incentivos fiscais utilizado em Goiás nas décadas de 80 e 90 e que ainda refinancia os projetos mais antigos, ainda não são superiores ao valor do mesmo período do ano passado. Em 2011, foram aprovados R$ 40,1 milhões em investimentos, contra R$ 122,4 milhões no mesmo período do ano passado.

Segundo Elemar Pimenta, com a troca de comando no governo estadual ocorreu naturalmente uma paralisação ou redução de ritmo de negociações com empresas de outros Estados, que foi retomado por uma nova equipe que cuida do programa - que nestes primeiros meses estão iniciando novas captações. "Só a Suzuki, que prevê investimento bilionário no Estado, inicialmente deve utilizar cerca R$ 150 milhões", disse.

A Abelvolks trabalha, desde 1967, com som automotivo em Goiânia. A empresa, que foi fundada por Abelardo Pereira, hoje é tocada pelo filho Silvibel Pereira e o sobrinho Glauber Oliveira. Pela primeira vez, recorre a empréstimo do FCO para investir.

"Nós vamos dividir a empresa em duas unidades. Trabalhamos com som automotivo no Setor Universitário, e a parte de eventos automotivos, que realizamos apenas no interior do Estado, terá um galpão no setor Balneário Meia-Ponte. A empresa, que cuida da montagem de eventos, terá mais espaço físico e com melhor localização, o que facilitará na logística de acesso a rodovias, pois não fazemos eventos na capital", disse Glauber, que afirmou que a aprovação do projeto foi tranquila.

"Se o projeto for bom e se a empresa ou os sócios não tiverem restrições, aprova. Foi bem mais fácil que eu esperava", afirmou Glauber.
Para o consultor Elemar Pimenta,o empresário que compreende que o projeto de viabilidade-econômica não é uma peça de ficção tem maior probabilidade de aprová-lo e implantá-lo com sucesso.

Para o consultor Elemar Pimenta,o empresário que compreende que o projeto de viabilidade-econômica não é uma peça de ficção tem maior probabilidade de aprová-lo e implantá-lo com sucesso.
"O projeto é um manual de orientação para o empresário, para sua equipe e não apenas uma peça de ficção para conseguir um empréstimo no banco. Ele deve exigir um bom projeto, deve cobrar coerência do projetista, pois é um serviço muito relevante para o futuro da sua empresa", explica Elemar.

Aumenta a proporção de projetos para empresas

Assim como a Áurea Engenharia e a Abelvolks, outros cerca de 700 projetos foram aprovados no FCO. Mais da metade (57%) são projetos rurais e os demais, empresariais (43%). A proporção de projetos para produtores rurais já foi muito maior, mas com o crescimento da economia goiana, ampliaram-se os investimentos empresariais. Em sua maior parte, os investimentos de produtores rurais são em aquisição de matrizes e vacas de corte, construção de cercas e galpões, formação e recuperação de pastagem, aquisição de colheitadeira, trator, caminhão, entre outros.

Nos projetos empresariais, boa parte é para financiar construção, reforma ou ampliação de prédios, compra de máquinas e equipamentos, móveis, capital de giro, compra de veículos, projetos e estudos, entre outros. Com relação aos projetos empresariais do FCO e Produzir-Fomentar, existe um grande equilíbrio de aprovação. Neste primeiro quadrimestre de 2011, o comércio representou 15,31% das propostas e cartas-consultas, seguido de indústrias (15,05%) e serviços (12,62%).

O consultor Elemar Pimenta lembra que o fundo foi criado com foco no investimento fixo e não no capital de giro, onde os recursos são limitados. De preferência, recomenda, que invista o capital financiado nas obras e máquinas. "Muita empresa constrói com capital próprio e, quando falta o capital de giro, recorre a juros altos no banco. O que é um erro."(LR)

Cinco cidades concentram 55% dos recursos

Os projetos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) atenderam empresários e produtores rurais de mais de 140 cidades goianas nestes primeiros quatro meses de 2011. No entanto, com relação a recursos liberados, cerca de 55% (R$ 280 milhões) foi liberado para apenas cinco município: Goiânia (R$ 121,1 milhões), Anápolis (R$ 63,6 milhões), Aparecida de Goiânia (R$ 58,3 milhões), Rio Verde (R$ 21,5 milhões) e Trindade (R$ 16,9 milhões).

O volume de recursos confirma a ascensão de Aparecida de Goiânia para a terceira posição entre municípios mais dinâmico da economia goiana, já verificada em outros indicadores econômicos - como emprego e abertura de empresas. Este posto, na década de 90, foi amplamente dominado por Rio Verde.

Com relação a número de projetos, a concentração é menor. Neste caso, são 28,5% dos projetos aprovados que pertencem aos cinco primeiros do ranking. Goiânia puxa a lista, com 103 cartas-consulta aprovadas, seguida de Aparecida de Goiânia (34), Anápolis (27), Rio Verde (22) e Catalão (15). Nesta avaliação, os projetos rurais, que são de menor valor, são responsáveis pela menor concentração.

Outro ponto é que Aparecida aprovou mais projetos que o tradicional segundo lugar, Anápolis, que conta com grandes empreendimentos industriais para elevar o volume de recursos aprovados e manter - com pouca sobra - a segunda posição em valores liberados.

A indústria realmente é o setor que fortalece a economia anapolina. Entre os vários projetos aprovados para o setor neste começo de ano está o da Bisnago Indústria de Embalagens, que, segundo o Conselho de Desenvolvimento do Estado, teve R$ 7,8 milhões liberados. A indústria está localizada no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) e, ainda segundo o CDE, vai investir no total R$ 11,2 milhões.

O gerente administrativo da empresa, Valdecir Viodres, aponta que a Bisnago pertence ao Grupo Purifarma, que atua na área de medicamentos e está há mais de dez anos no Daia, com quatro empresas.
A Bisnago é a mais nova e vai produzir bisnagas de alumínio. "Já estamos em fase de teste de novas máquinas e contratando. Até o momento, foram 43 empregos diretos e vamos contratar mais. A operação tem uma linha em funcionamento e já estamos em contato para importação de mais duas linhas de produção."

Com relação a empregos, a previsão dos cerca de 700 projetos aprovados pelo FCO e Produzir-Fomentar no primeiro quadrimestre deste ano é 79,8% maior do que no mesmo período do ano passado. Em 2010, foram aprovados projetos que previam a geração de 4.390 empregos, ante 7.897 novas vagas abertas com estes novos financiamentos.

Fonte: Jornal O Popular