14 de junho de 2010

Pré-candidatos ao Governo de Goiás falam sobre o Eixo Anhanguera e o Transporte Coletivo

Os três pré-candidatos ao governo de Goiás mais bem classificados na última pesquisa Serpes/O POPULAR foram entrevistados nesta sexta-feira (11) no Face a Face. Cada um deles, ao seu modo, defendeu choque de gestão na administração. Além do ponto em comum, cada um tentou marcar posição e mostrar as próprias vantagens.

Marconi Perillo (PSDB) tenta fixar a imagem de um gestor moderno que pretende cobrar a realização de metas. Já Iris Rezende (PMDB), coloca o seu passado como administrador público como principal diferencial diante dos adversários. Por seu lado, Vanderlan Cardoso (PR) destaca sua experiência à frente de Senador Canedo e sua vida empresarial.

Confira abaixo as perguntas e as repostas dos pré-candidatos sobre o transporte coletivo.

(David Faria) Sr. Iris Rezende, como prefeito o sr. tentou mas não conseguiu tornar o transporte coletivo da região metropolitana da capital melhor. Sendo que este tema não pode ficar fora das propostas de governo de nenhum candidato ao governo do Estado, qual a sua proposta concreta e possível de ser realizada para solucionar este problema?

Iris Rezende:

A pergunta é oportuna. Em tudo isso aí eu cometi apenas um erro. Porque hoje nós analisamos a situação do transporte hoje. Mas quem viveu há seis anos atrás, quando eu fazia aquelas propostas a situação do transporte coletivo naquela época era caso de polícia. O que que fizeram com o transporte de Goiânia? A Assembleia aprovou uma lei criando o sistema integrado. Muito bem, sou favorável a isso. Goiânia, os municípios vizinhos e o governo Estado. Como é administrado o sistema? Por uma Câmara Deliberativa. Que decidi tudo aquilo que a CMTC deve cumprir. A Câmara Deliberativa é constituída pelo secretários da cidade, representantes do governo, parece que dois ou três. Um representante da Assembleia, um representante dos municípios circunvizinhos, de Goiânia e dois ou três representantes da Prefeitura de Goiânia. O governo nomeia o presidente da Câmara Deliberativa, o governo estadual, o prefeito nomeia o presidente da CMTC. Eu assumi a Prefeitura e a situação era tão grave, tão delicada, que eu assumi a Prefeitura e me declarei o presidente da Câmara Deliberativa. Atropelei a Assembleia e convoquei imediatamente as cooperativas que eram os sucessores dos micro-ônibus. Convoquei essas cooperativas, convoquei os concessionários na época, tomei atitudes, fiz exigências. Se não cumprisse em sessenta dias eu ia procurar empresas que colocassem ônibus novos ali.

A verdade é que as cooperativas que sucederam 600 proprietários de micro-ônibus. Esses 600 proprietários eram pessoas pobres. Muitas delas venderam as suas casas para comprar o micro-ônibus diante de uma indiferença e de uma irresponsabilidade do governo que permitiu que o sistema fosse atropelado por esses 600 micro-ônibus sem o mínimo estudo, sem garagens para dar assistência. Esses micro-ônibus começam a trabalhar o que bem entendiam. Paravam como bem entendiam. E os concessionários não tiveram coragem de comprar mais ônibus. Houve até morte de proprietário de micro-ônibus lá no pátio da Universidade Federal. É bom que a cidade se lembre disso. Quando viram que a história de micro-ônibus não funcionava chamaram os seus proprietários: "Não, vocês vão constituírem as suas cooperativas e compram ônibus". Comprar ônibus com quê? Dar assistência a esses ônibus aonde? Mas fizeram quatro cooperativas e foram buscar ônibus. Sabe que ônibus eles compraram, se não tinham dinheiro? Foram comprar aqueles ônibus que estavam no ferro-velho lá no Rio de Janeiro, São Paulo como é hoje em Goiânia. Cumpriram aquela idade o ônibus tem de ser retirado de circulação. Eles foram buscar esses ônibus que custavam R$ 10, R$ 15 mil. Botaram aí. E o povo queimava ônibus e a imprensa nem publicava mais porque se tornou um fato comum. Nessa situação eu me candidato e digo: em seis meses eu resolvo esse problema. Em cinco meses nós pusemos em Goiânia 400 ônibus novos. Retiramos os ônibus imprestáveis que estavam rodando. E aquelas cooperativas entenderam meu gesto.

Eu chamei conversei com eles. "Quero humildade e bom senso de vocês". E melhorou. Mas o dia em que eu chamei os empresários eu disse a eles se eles não tivessem dispostos a assumir comigo aquela responsabilidade e em cinco meses botar ônibus que atendessem as nossas necessidades eu ia buscar fora. Um deles me procura. "Mas sr. prefeito você disse que consertaria em seis meses. Você nos chama para comprar 400 e tantos ônibus muito bem. Mas você disse também em abrir licitação. Se você vai abrir licitação, ou não é verdade isso, onde nós vamos empurrar esses ônibus se amanhã não ganharmos a licitação." Eu falei, não tem problema, nós fazemos constar em edital que as empresas que sagrarem vencedoras na licitação que não estiverem explorando elas terão de indenizar no ato da assinatura de contrato os ônibus adquiridos desta data até a data da licitação. Então eles decidiram comprar. Fizemos tantas exigências que as empresas de fora não quiseram vir. Compraram os editais de licitação e não voltaram para participar. Ficaram aos locais. Na licitação nós estabelecemos o máximo do custo de passagem. Estabelecemos garantia no reajuste dessas passagens. Tudo feito criteriosamente, com seriedade, com responsabilidade.

Mas aí é que eu errei porque até então eu estava fazendo tudo era sozinho. Desconheci Câmara e tudo porque eles falharam, eles fracassaram, acabaram com o transporte. Quando nós abrimos, anunciamos a licitação, e aí a Câmara Deliberativa reuniu para apreciar o edital para tomar aquelas atitudes aí eu busquei para o Estado para dentro, o governo do Estado, o dever estadual, e disse olha se abrir licitação da via hoje sobre a responsabilidade da Metrobus, o Estado não entra na licitação e automaticamente acaba com os subsídios das passagens daquela linha. Nessa hora foi o meu erro. Eu devia ter feito a licitação daquela linha. Mas o que fizemos foi dar a concessão para o Estado até o final desse ano. O que aconteceu de lá pra cá? As empresas que ganharam entupiram Goiânia de ônibus novos. Compraram mil e tantos ônibus a mais. O Estado não comprou nenhum.

As empresas que ganharam licitação estão construindo os terminais. Dois em Aparecida, outro aqui na Vila União. Tudo que é da competência estão fazendo. Construímos os abrigos através das empresas que ganharam. Tudo bem estudado. O Estado se limitou a uma reforma ali naqueles pontos de passageiros ao longo da avenida. Se limitaram, não compraram ônibus. Onde está o problema do transporte urbano de Goiânia? Nos terminais. Com a construção de mais três terminais pela Metrobus resolve o problema e aquisição de ônibus suficientes. porque ali no Eixão você pode botar quantos ônibus você quiser, um atrás d o outro, porque ficar aquele tumulto. Olha é impossível a sua mãe, a sua mulher, tomar um ônibus ali, num terminal daquele. Agora a responsabilidade é do governo estadual. Sendo amanhã. se eu for governador. nós vamos fazer dessa linha aí uma linha chamar atenção e buscar as pessoas a deixar os seus carros em casas e utilizar o sistema de transporte coletivo de Goiânia. Tenho certeza de que você não se engana com isso. Agora tem de gastar, tem de investir, tem de comprar ônibus e construir esses terminais. Isso é obra que se tem de fazer em um período muito curto de tempo. Então é aqui que eu estou dizendo para você desde o início. É questão de gestão, gestão, gestão.


(Rafael Martins) - Reportagem do POPULAR de 4 de maio mostrou que o Eixo Anhanguera está a beira do colapso. O que fará, caso eleito, para "salvar" o Eixão?

Marconi Perillo:

Olha, nós precisamos salvar não é o Eixão. O Eixão é parte do sistema do transporte da região metropolitana e parte do problema caótico do trânsito de Goiânia. Eu diria que o menor problema existente hoje no transporte coletivo de Goiânia é o Eixão. Porque você tem uma linha definida, um eixo regular, organizado. Não é verdade que não foram feitos investimentos em novos ônibus. Só de uma vez, eu comprei três ônibus triarticulados. Fizemos permanente renovação de frota no tempo em que fui governador e, além disso, eu criei a tarifa social, o subsídio para ajudar o bolso do trabalhador. Tivemos um incremento de 80 para 200 mil usuários naquele período. Mas o problema não diz respeito apenas ao Eixo Anhanguera, isso é uma falácia. O problema é o trânsito que continua ainda caótico, apesar das intervenções que já estão sendo feitas pelo novo prefeito, Paulo Garcia (PT), que no Face a Face aqui no POPULAR e na TV Anhanguera foi alertado, questionado, em relação aos problemas gravíssimos no trânsito e começou a tomar providências.

Quem estava no poder até a chegada dele, não tomou providência alguma. O trânsito continuou caótico e assim o transporte piora mais ainda porque o transporte eficiente depende do trânsito de boa qualidade. Mas, em relação ao transporte também, as humilhações aos nossos trabalhadores continuaram, o empurra-empurra, as filas em todos os terminais. Tivemos renovação de uma parte da frota com recursos da iniciativa privada. Eu já conversei com os empresários no setor privado na área de trans porte e todos eles são unânimes em dizer: a gestão da Prefeitura não investiu um tostão em corredores novos, em terminais, em ônibus novos, nenhum tostão. Todos os investimentos foram feitos pela iniciativa privada. O que mudou no transporte em Goiânia de seis anos pra cá foram o preços das passagens e a renovação dos contratos com as mesmas empresas por mais 30 anos.

Portanto, o choque que precisa ser dado em relação ao transporte de Goiânia não é só no Eixo Anhanguera. O eixo depende de investimentos do governo estadual. O governo estadual tem de buscar mesmo que seja financiamentos para investir mais um pouco. Mas o problema do transporte é global. E é humilhante. Infelizmente, quem falou que resolveria o problema de transporte em seis meses, não resolveu, não deu conta de resolver, não vai resolver e nós vamos precisar de uma solução dura no futuro que envolva empresas, prefeituras da região metropolitana, e principalmente, o governo do Estado. O governo não pode se esquivar, não pode lavar as mãos em relações a soluções para o transporte de Goiânia.

Vanderlan Cardoso:

Participei, durante anos, da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) como prefeito de Senador Canedo. Não foi feito o planejamento de que - devido à concessão do subsídio para a tarifa - o número de passageiros que usam o Eixão iria aumentar. Já passou de 200 mil. Não foi feito um estudo de que investimentos precisam ser feitos e está aí esse caos que está hoje. É a lei do mais barato. Mas como resolver? Estamos vendo alternativas para que se resolva isso com um metrô elevado, facilitando o transporte, mantendo o subsídio, com a concessão nas mãos do Estado. O Estado é o único que tem condições de manter o subsídio. Defendo que a concessão fique com o Estado por mais 20 anos para que se busque alternativas em países como Japão e China, para resolver o problema do transporte coletivo.

Fonte: O Popular