7 de dezembro de 2009

Feira Hippie de Goiânia atrai olhares do mundo


80 mil consumidores visitam o local a cada domingo, levados pelos preços baixos e diversidade de produtos. 70% do público é oriundo de quase todos os Estados e países da América do Sul

Comerciantes da Feira Hippie ainda não podem comemorar os resultados das vendas para o Natal e ano- novo. Vendas para as datas estão até 30% menores que as obtidas em 2008. Expectativa é de melhora a partir da primeira quinzena deste mês. Mesmo assim, não há sol forte ou chuva intensa que atrapalhe as compras de sacoleiros que vêm de todo o País para abastecer seus estoques na Capital.

Nos meses normais, cerca de 80 mil pessoas passam por cada edição da feira. Nos dois últimos meses do ano, o número aumenta para 100 mil, podendo chegar a 120 mil consumidores, segundo o presidente da Associação dos Feirantes da Feira Hippie, Manoel Rodrigues de Abadia.

Conhecida como a maior feira aberta da América Latina, a Feira Hippie recebe pessoas de quase todos os Estados brasileiros, e até de outros países, que compram para revender em suas cidades. São pessoas de Rondônia, Pará, Acre, Bahia, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocantins e vários outros Estados, além de países como Argentina, Bolívia e Paraguai, que representam 70% da clientela da feira, segundo Abadia.

Eles vêm atrás dos preços baixos e produtos de qualidade, como comenta o sul-mato-grossense Ronaldo Arimura, 38. O comerciante é sócio de duas lojas em seu Estado e chega a gastar R$ 25 mil em cada visita a Goiânia. “Venho de uma a duas vezes por bimestre”, conta ele. Os produtos – em sua maioria peças de vestuário feminino – como vestidos, blusas e calças, garantem lucro de no mínimo 60% quando revendidos.

Sacoleiros
Sete mil feirantes espalhados pela Praça do Trabalhador garantem o abastecimento dos compradores, conhecidos como sacoleiros. De Uberlândia, Simone Garcia, 41, não perdeu tempo. Ela chega à noite e logo cedo já estava com as sacolas cheias. Ela comprou cerca de R$ 5 mil e ainda não havia terminado. “As vendas compensam o sacrifício”, diz.

O guia de excursão Rômulo Gustavo Pires conta que traz cerca de 44 pessoas semanalmente até a feira. “O número dobra nos dois últimos meses do ano”, afirma. Segundo Abadia, tanta gente reunida com o único objetivo de comprar garante movimentação financeira de quase R$ 500 mil por final de semana. “Alguns clientes compram R$ 40 mil por feira”, completa. Mas ele avalia que as vendas ainda não estão dentro das expectativas. “As vendas deveriam começam a crescer já no início de novembro, o que não aconteceu. Esperamos que agora haja recuperação”, informa.

Valores mais atrativos que em São Paulo
A paulistana Gisleide Aparecida Martins, 40, não diminuiu o volume de compras que faz todos os meses quando vem a Goiânia. No final do ano as visitas à Feira Hippie acontecem a cada 15 dias. Ela conta que maior parte dos artigos de vestuário disponíveis no local sai com preços menores do que em São Paulo. “A média de preços é R$ 20, mas há peças até mais baratas que isso”, revela. O lucro, segundo ela, chega a 150%.

Proprietária de uma banca de roupas no local, Sílvia Alves Pereira diz que, normalmente, os clientes que compram grandes volumes são assessorados e não demoram muito na feira. “Eles vêm, compram e vão embora”, conta. O preço de suas peças varia entre R$ 15 e R$ 45, o que, segundo ela, atrai a clientela. “Há clientes que compram R$ 5 mil de uma vez só”, afirma.

Lojistas das imediações da feira também lucram com o intenso movimento de consumidores. A comerciante Sônia Gonçalves Ferreira diz que as vendas para clientes de fora representam a maior fatia do que é comercializado na loja. “Compram de 10 a 500 peças de uma só vez”, computa.

Fonte: Diário da Manhã