24 de abril de 2014

Aparecida Shopping: Aparecida ganhará novo shopping center em 2016












Shopping terá mais de 200 lojas e vai gerar 1,5 mil empregos. Investimento total será de R$ 225 milhões

Os moradores da região central de Aparecida de Goiânia ganharão um grande centro de compras: o Aparecida Shopping. O empreendimento receberá investimentos da ordem de R$ 225 milhões - R$ 150 milhões por parte do grupo de investidores e R$ 75 milhões por parte dos lojistas. O empreendimento será lançado amanhã, às 19h30, na Casa Lis, com uma palestra do sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles.

Além de oferecer fácil acesso - está localizado na Avenida Independência, próximo à Prefeitura, ao Fórum e à Igreja Matriz - o Aparecida Shopping terá mais de mil vagas de estacionamento, 200 espaços comerciais, supermercado e cinco âncoras, como C&A e Riachuelo. Entre as marcas que farão parte do mix de lojas estão: Flávio’s, Rival, Kazzu Azzee e Shopping dos Cosméticos.

Os clientes também contarão com área de lazer com seis salas de cinema, parque de diversões eletrônicas e praça de eventos, além de praça de alimentação com restaurantes como Spoleto, Subway, Yan Ping e Koni. No total, serão 25 mil m² de área bruta locável (ABL), distribuídos em 37 mil m² de área construída e dois pisos.

OBRAS

O empreendimento será construído por meio de uma parceria entre JC Distribuição, Mará Participações e Saga Malls, que possui know- how de 20 anos de experiência no desenvolvimento de grandes shopping centers na Região Centro-Oeste. A Mará Participações entra com uma participação minoritária de 20%; enquanto a JC Distribuição e a Saga Malls têm 40% cada uma.

O grupo de investidores será responsável pela administração do centro de compras. O CEO da Saga Malls e membro do Conselho de Administração do Grupo Saga, Fernando Maia, reconhece, porém, que pode haver uma maior participação da Saga Malls devido seu know-how no setor.

Com o projeto integralmente aprovado pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia, Fernando Maia diz que os próximos 60 dias serão dedicados à preparação do canteiro de obras. A previsão é de que as obras comecem em junho e gerem aproximadamente 500 empregos diretos, podendo chegar a 2 mil postos nos últimos seis meses de trabalho.

Após sua inauguração, agendada para março de 2016, o empreendimento deverá criar 1,5 mil empregos diretos. O CEO enfatiza que o cronograma de entrega deve ser respeitado. “Não deve haver atrasos. Nosso compromisso com as âncoras é para março de 2016.”

Indagado sobre a escolha do local, o centro de Aparecida de Goiânia, Fernando explica que, como é de praxe, lançaram mão de pesquisa do Ibope, que apurou área de influência primária, varejo local e renda da população. “Descobrimos um mercado carente de um centro de compras do porte em questão no coração da cidade.”

O Aparecida Shopping vai atender uma região cuja área de influência é superior a 489 mil habitantes, segundo pesquisa Ibope, abrangendo toda a área urbana de Aparecida de Goiânia, todo o município de Hidrolândia e parte de Goiânia. Desse modo, estima-se que o centro de compras terá público mensal de 800 mil frequentadores, gerando um fluxo de vendas anual de R$ 250 milhões.
POTENCIAL

Sobre a conjuntura econômica atual (aumento de juros, alta taxa de endividamento e de inflação) que poderia por em dúvida o sucesso do Aparecida Shopping, Fernando Maia diz que os novos empreendimentos do gênero não se baseiam numa expectativa de retorno a curto prazo. Ele acredita que a região possui um grande potencial de consumo e aposta na consolidação do centro de compras num espaço de três a quatro anos após sua inauguração.

Para isso, se baseia em estudos e pesquisas recentes que mostram que na última década o perfil socioeconômico do País mudou muito e a classe C, a nova classe média, conquistou um lugar de destaque na escala de consumo.

MAIS INAUGURAÇÕES

Como veiculado no POPULAR do dia 30 de março, até 2016, ao menos seis novos centros de compras serão inaugurados no Estado, com investimentos de quase R$ 900 milhões: o Shopping Cerrado (Goiânia), o Mega Polo (Goiânia), o América Shopping (saída para Trindade), o Aparecida Shopping, o Golden Shopping (Goiânia) e o Buriti Rio Verde (Rio Verde).
Estes empreendimentos, junto com as ampliações de área bruta locável nos shoppings já consolidados, abrirão mais de 1.500 novas lojas na Grande Goiânia e interior.

Fonte: Jornal O Popular



21 de abril de 2014

Os melhores estados para se viver no Brasil, segundo a ONU


Levantamento da ONU aponta o Distrito Federal como a unidade da federação mais desenvolvida do país no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). SP fica em segundo.

1º Distrito Federal - IDHM 0,824
Educação: 0,742
Expectativa de vida: 0,873 (77,3 anos)
Renda: 0,863 (1.715,11)
IDHM Final: 0,824 (muito alto)

Posição (2000): 1º lugar

2º São Paulo - IDHM 0,783
Educação: 0,719
Expectativa de vida: 0,845 (75,6 anos)
Renda: 0,789 (1.084,46)
IDHM Final: 0,783 (alto)

Posição (2000): 2º lugar

3º Santa Catarina - IDHM 0,774
Educação: 0,697
Expectativa de vida: 0,860 (76,6 anos)
Renda: 0,773 (983,90)
IDHM Final: 0,774 (alto)

Posição (2000): 3º lugar

4º Rio de Janeiro - IDHM 0,761
Educação: 0,675
Expectativa de vida: 0,835 (75,1 anos)
Renda: 0,835 (815,43)
IDHM Final: 0,761 (alto)

Posição (2000): 4º lugar

5º Paraná - IDHM 0,749
Educação: 0,668
Expectativa de vida: 0,830 (74,8 anos)
Renda: 0,757 (890,89)
IDHM Final: 0,749 (alto)

Posição (2000): 6º lugar

6º Rio Grande do Sul - IDHM 0,746
Educação: 0,642
Expectativa de vida: 0,840 (75,3 anos)
Renda: 0,769 (959,24)
IDHM Final: 0,746 (alto)

Posição (2000): 5º lugar

7º Espírito Santo - IDHM 0,740
Educação: 0,653
Expectativa de vida: 0,835 (75,1 anos)
Renda: 0,743 (815,43)
IDHM Final: 0,740 (alto)

Posição (2000): 7º lugar

8º Goiás - IDHM 0,735
Educação: 0,646
Expectativa de vida: 0,827 (74,6)
Renda: 0,742 (810,97)
IDHM Final: 0,735 (alto)

Posição (2000): 9º lugar

9º Minas Gerais - IDHM 0,731
Educação: 0,638
Expectativa de vida: 0,838 (75,3 anos)
Renda: 0,730 (749,69)
IDHM Final: 0,731 (alto)

Posição (2000): 8º lugar

10º Mato Grosso do Sul - IDHM 0,729
Educação: 0,629
Expectativa de vida: 0,833 (74,9 anos)
Renda: 0,740 (799,34)
IDHM Final: 0,729 (alto)

Posição (2000): 10º lugar

11º Mato Grosso - IDHM 0,725
Educação: 0,635
Expectativa de vida: 0,821 (74,2 anos)
Renda: 0,732 (762,52)
IDHM Final: 0,725 (alto)

Posição (2000): 11º lugar

12º Amapá - IDHM 0,708
Educação: 0,629
Expectativa de vida: 0,813 (73,8 anos)
Renda: 0,694 (598,98)
IDHM Final: 0,708 (alto)

Posição (2000): 13º lugar

13º Roraima - IDHM 0,707
Educação: 0,628
Expectativa de vida: 0,813 (73,5 anos)
Renda: 0,695 (605,59)
IDHM Final: 0,707 (alto)

Posição (2000): 12º lugar

14º Tocantins - IDHM 0,699
Educação: 0,624
Expectativa de vida: 0,793 (72,5 anos)
Renda: 0,690 (586,62)
IDHM Final: 0,699 (médio)

Posição (2000): 18º lugar

15º Rondônia - IDHM 0,690
Educação: 0,577
Expectativa de vida: 0,800 (72,9 anos)
Renda: 0,712 (670,82)
IDHM Final: 0,690 (médio)

Posição (2000): 17º lugar

16º Rio Grande do Norte - IDHM 0,684
Educação: 0,597
Expectativa de vida: 0,792 (72,5 anos)
Renda: 0,678 (545,42)
IDHM Final: 0,684 (médio)

Posição (2000): 14º lugar

17º Ceará - IDHM 0,682
Educação: 0,615
Expectativa de vida: 0,793 (72,6 anos)
Renda: 0,651 (460,63)
IDHM Final: 0,682 (médio)

Posição (2000): 16º lugar

18º Amazonas - IDHM 0,674
Educação: 0,561
Expectativa de vida: 0,805 (73,3 anos)
Renda: 0,677 (539,80)
IDHM Final: 0,674 (médio)

Posição (2000): 22º lugar

19º Pernambuco - IDHM 0,673
Educação: 0,574
Expectativa de vida: 0,789 (72,3 anos)
Renda: 0,673 (525,64)
IDHM Final: 0,673 (médio)

Posição (2000): 15º lugar

20º Sergipe - IDHM 0,665
Educação: 0,560
Expectativa de vida: 0,781 (71,8 anos)
Renda: 0,672 (523,53)
IDHM Final: 0,665 (médio)

Posição (2000): 20º lugar

21º Acre - IDHM 0,663
Educação: 0,559
Expectativa de vida: 0,777 (71,6 anos)
Renda: 0,671 (522,15)
IDHM Final: 0,663 (médio)

Posição (2000): 21º lugar

22º Bahia - IDHM 0,660
Educação: 0,555
Expectativa de vida: 0,783 (71,9 anos)
Renda: 0,663 (496,73)
IDHM Final: 0,660 (médio)

Posição (2000): 23º lugar

23º Paraíba - IDHM 0,658
Educação: 0,555
Expectativa de vida: 0,783 (72 anos)
Renda: 0,656 (474,94)
IDHM Final: 0,658 (médio)

Posição (2000): 24º lugar

24º Pará - IDHM 0,646
Educação: 0,528
Expectativa de vida: 0,789 (72,3 anos)
Renda: 0,646 (446,76)
IDHM Final: 0,646 (médio)

Posição (2000): 19º lugar

25º Piauí - IDHM 0,646
Educação: 0,547
Expectativa de vida: 0,777 (71,6 anos)
Renda: 0,635 (416,93)
IDHM Final: 0,646 (médio)

Posição (2000): 25º lugar

26º Maranhão - IDHM 0,639
Educação: 0,562
Expectativa de vida: 0,757 (70,4 anos)
Renda: 0,612 (360,64)
IDHM Final: 0,639 (médio)

Posição (2000): 26º lugar

27º Alagoas - IDHM 0,631
Educação: 0,520
Expectativa de vida: 0,755 (70,3 anos)
Renda: 0,641 (432,56)
IDHM Final: 0,631 (médio)

Posição (2000): 27º lugar

Fonte: Exame Abril


As metrópoles brasileiras que proporcionam mais bem-estar


Campinas teve a melhor avaliação em índice que mede a qualidade de vida nas 15 principais regiões metropolitanas do país. Belém e as cidades ao redor ficaram em último lugar.

 Estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Observatório das Metrópoles do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia analisa as 15 principais regiões metropolitanas brasileiras e revela quais oferecem mais -e menos - bem-estar para a população.

Os municípios da região de Campinas, no interior de São Paulo, atingiram a melhor colocação no Índice de Bem-estar Urbano.

Confira a Lista Completa: 

1º) Campinas (SP) - 0,873
Mobilidade urbana: 0,932
Condições ambientais: 0,906
Condições habitacionais: 0,791
Atendimento de serviços coletivos: 0,959
Infraestrutura urbana: 0,775

Índice de Bem-estar Urbano: 0,873

2º) Florianópolis (SC) - 0,754
Mobilidade urbana: 0,962
Condições ambientais urbanas: 0,663
Condições habitacionais: 0,906
Atendimento de serviços coletivos: 0,625
Infraestrutura urbana: 0,615

Índice de Bem-estar Urbano: 0,754

3º) Curitiba (PR) - 0,721
Mobilidade urbana: 0,634
Condições ambientais urbanas: 0,649
Condições habitacionais: 0,860
Atendimento de serviços coletivos: 0,865
Infraestrutura urbana: 0,599

Índice de Bem-estar Urbano: 0,721

4º) Goiânia (GO) - 0,720
Mobilidade urbana: 0,696
Condições ambientais urbanas: 0,900
Condições habitacionais: 0,705
Atendimento de serviços coletivos: 0,602
Infraestrutura urbana: 0,697

Índice de Bem-estar Urbano: 0,720

5º) Porto Alegre (RS) - 0,719
Mobilidade urbana: 0,789
Condições ambientais urbanas: 0,734
Condições habitacionais: 0,779
Atendimento de serviços coletivos: 0,734
Infraestrutura urbana: 0,559

Índice de Bem-estar Urbano: 0,719

6º) Vitória (ES) - 0,699
Mobilidade urbana: 0,633
Condições ambientais urbanas: 0,710
Condições habitacionais: 0,724
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,832
Infraestrutura urbana: 0,596

Índice de Bem-estar Urbano: 0,699

7º) Belo Horizonte (MG) - 0,658
Mobilidade urbana: 0,365
Condições ambientais urbanas: 0,737
Condições habitacionais: 0,648
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,869
Infraestrutura urbana: 0,673

Índice de Bem-estar Urbano: 0,658

8º ) São Paulo (SP) - 0,615
Mobilidade urbana: 0,032
Condições ambientais urbanas: 0,743
Condições habitacionais: 0,599
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,921
Infraestrutura urbana: 0,782

Índice de Bem-estar Urbano: 0,615

9º) Distrito Federal (RIDE-DF*) - 0,610
Mobilidade urbana: 0,374
Condições ambientais urbanas: 0,617
Condições habitacionais: 0,698
Atendimento de serviços coletivos: 0,640
Infraestrutura urbana: 0,721

Índice de Bem-estar Urbano: 0,610

10º) Salvador (BA) - 0,573
Mobilidade urbana: 0,503
Condições ambientais urbanas: 0,564
Condições habitacionais: 0,590
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,729
Infraestrutura urbana: 0,478

Índice de Bem-estar Urbano: 0,573

11º) Fortaleza (CE) - 0,564
Mobilidade urbana: 0,790
Condições ambientais urbanas: 0,498
Condições habitacionais: 0,613
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,479
Infraestrutura urbana: 0,438

Índice de Bem-estar Urbano: 0,564 

12º) Rio de Janeiro (RJ) - 0,507
Mobilidade urbana: 0,015
Condições ambientais urbanas: 0,585
Condições habitacionais: 0,629
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,710
Infraestrutura urbana: 0,595

Índice de Bem-estar Urbano: 0,507

13º) Recife (PE) - 0,443
Mobilidade urbana: 0,511
Condições ambientais urbanas: 0,432
Condições habitacionais: 0,636
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,363
Infraestrutura urbana: 0,274

Índice de Bem-estar Urbano: 0,443

14º) Manaus (AM) - 0,395
Mobilidade urbana: 0,613
Condições ambientais urbanas: 0,366
Condições habitacionais: 0,322
Atendimento de serviços coletivos urbanos: 0,279
Infraestrutura urbana: 0,394

Índice de Bem-estar Urbano: 0,395 

15º) Belém (PA) - 0,251
Mobilidade urbana: 0,718
Condições ambientais urbanas: 0,034
Condições habitacionais: 0,256
Atendimento de serviços coletivos: 0,152
Infraestrutura urbana: 0,094

Índice de Bem-estar Urbano: 0,251 

Fonte: Exame Abril 


As capitais brasileiras com mais (e menos) gordinhos



Pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros está acima do peso. Campo Grande (MS) registrou o maior número de pessoas com sobrepeso entre as capitais.

O alarmante excesso de peso da população brasileira ficou evidente nesta terça-feira. Estudo inédito realizado pelo Ministério da Saúde revelou que, pela primeira vez, mais da metade da população brasileira está acima do peso.

De acordo com a pesquisa que considera o ano de 2012, 51% da população com mais de 18 anos está acima do peso ideal. Quando o ministério começou a medição dos dados, em 2006, esse valor era de 43%. O número de pessoas consideradas obesas também aumentou para 17%, de 11% em 2006.

O excesso de peso atinge mais os homens, com 54%, em comparação a 48% entre as mulheres. Em compensação, elas são as maiores vítimas da obesidade. Atualmente, 18% das mulheres estão obesas. Entre os homens, o índice é de 16%. Em 2006, o valor para ambos era de 11%.

Campo Grande foi a capital brasileira a registrar a maior taxa de adultos com sobrepeso da pesquisa, ficando acima da média nacional com 56,3%. Em seguida, estão Porto Alegre (54,1%), Rio Branco (53,9%), Recife (53,3%) e Fortaleza (52,8%).

Confira na tabela a seguir os valores de sobrepeso e obesidade registrados nas capitais do país:

CapitaisTotal da população com sobrepeso (%)Sobrepeso masculino (%)Sobrepeso feminino (%)Total da população obesa (%)
1) Campo Grande56,361,451,621
2) Porto Alegre54,159,949,318,4
3) Rio Branco53,957,850,321,3
4) Recife53,354,352,417,7
5) Fortaleza52,856,549,618,8
6) Maceió52,456,44919,9
7) Porto Velho52,455,848,918,9
8) Rio de Janeiro52,454,750,419,5
9) Natal52,254,95021,2
10) São Paulo52,156,148,617,8
11) Manaus5252,651,519,6
12) Cuiabá51,857,746,319,2
13) Macapá51,75548,617,6
14) Curitiba51,655,548,116,3
15) Aracaju51,56044,618
16) João Pessoa50,955,347,319,9
17) Belém50,457,244,616,1
18) Goiânia49,4524714
19) Florianópolis48,650,247,215,7
20) Belo Horizonte48,15244,714,5
21) Vitória4855,24215,5
22) Boa Vista47,552,942,315,1
23) Salvador47,345,848,714,1
24) Distrito Federal46,649,344,214,3
25) Teresina46,453,240,815
26) Palmas45,35338,115,7
27) São Luís45,352,339,513,2

Fonte: Exame Abril


Prefeitura vai autorizar bandeira 2 em Táxis de Goiânia


Conforme divulgado neste domingo (20) no jornal O Popular, a prefeitura de Goiânia vai autorizar a volta da bandeira 2 nos táxis da cidade. Segundo o presidente da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), José Geraldo, o objetivo é aumentar o número de táxis circulando no período noturno.

Segundo ele, o valor da bandeira 2 está em fase de estudo, mas deverá ficar entre 25 e 50% maior que o preço da tarifa normal. A data de implantação da bandeira 2 não foi divulgada.

Fonte: Portal 730


20 de abril de 2014

Nion Albernaz: “A cidade anda suja, descuidada, encardida. Não está bonita”


O ex-prefeito Nion Albernaz lembra com saudades dos tempos em que flores e jardins estavam entre as prioridades de Goiânia. Segundo ele, o desleixo com a cidade é uma característica das gestões do PT

Aos 84 anos, completados terça-feira (15), Nion Albernaz (PSDB) faz críticas à administração de Goiânia ao Hoje de Frente com o Poder. Ataca o PT, mas elogia Antônio Gomide como prefeito, “não para governador”. Nion começou na política em 1958, como vereador, foi prefeito de Goiânia três vezes, deputado federal e diz que parou “na hora certa” no ano 2000. Até por isso, disse que Iris Rezende (PMDB) está com “prazo de validade vencido”. Na entrevista, Nion fala ainda do governo Dilma Rousseff, do neto e vereador Thiago Albernaz e compara a corrupção à poluição de um rio.

O senhor faz parte do conselho político superior do governo Marconi Perillo. Qual o efeito prático, sugestões, como é a relação com o governo?

Todo governo precisa ter apoio popular. Temos alguma experiência e procuramos oferecê-la ao governador com sugestões que possam levar a esse apoio popular. E os resultados têm sido relativamente positivos.

Que sugestões, por exemplo?

Qual foi a marca do governador Marconi Perillo nos mandatos anteriores? Será que foio asfalto, os programas sociais? Não, foi o VaptVupt. Porque é o único atendimento direto à pessoa, que se sente valorizada. Quando fui prefeito fiz mais de 10 milhões de m² de asfalto. Acredito ter sido o prefeito que mais asfalto fez na cidade. Todo o asfalto feito na nossa administração foi com recursos próprios. Nunca tomamos dinheiro emprestado para fazer asfalto, porque asfalto é arroz com feijão em uma casa. Não se toma dinheiro emprestado e compra arroz para comer. Você deve ter do seu rendimento.

Está errado o governo que faz empréstimos para duplicar e recuperar rodovias?

Acredito que não, porque a estrada tem uma estrutura muito mais pesada e um custo muito maior. No nosso caso colocávamos também água pluvial, meio-fio, todas as obras de água. O dinheiro que o prefeito recebe da população, com o pagamento de impostos, não deve servir para pagamento de comissionados. Deve ser usado parabenefício da população. Fizemos asfalto no Jardim América, Setor Sudoeste, Novo Horizonte, Jardim Presidente, Setor Pedro Ludovico, Setor Universitário, até o Parque Atheneu. E ninguém fala que o asfalto marcou nossa administração. O que o povo fala que marcou? A florzinha. A cidade ficou bonita e era orgulho da população. A população sentiu orgulhosa, quando alguém chegava a Goiânia e fazia referência da beleza da cidade. Os jardins muito bem cuidados. O povo falava: “mas que cidade bonita” e sentiam como um ‘pavão’, reconhecendo que a cidade era bem administrada.

Como está Goiânia hoje?

O prefeito ainda não acertou no seu projeto. O Paulo Garcia, que não conheço pessoalmente, mas conheço o pai e a família dele, sei que é uma pessoa de bem. Mas não tem acertado no desejo da população. A cidade não anda bonita, anda suja, descuidada, eu diria, anda encardida. Por isso, gostaria muito que ele acertasse. Agora é uma característica do PT. O PT nunca cuida bem da cidade.

Nunca?

Nunca cuida bem da cidade e do povo. É muito importante quando se é prefeito entender o que é bom para a cidade e para o povo. E quando se é prefeito não desvie seu pensamento, 24 horas por dia tem que cuidar e pensar nas soluções para os problemas da cidade.

Antônio Gomide, do PT, ficou mais de cinco anos na Prefeitura de Anápolis e saiu com alta popularidade. Qual seria a explicação?

Os dedos das mãos não são iguais. Os petistas também não são iguais.

Tem exceções?

Tem. Mas não quero dizer que ele sendo bom prefeito vai ser bom governador. Ele tem característica própria para ser bom prefeito. E é bom prefeito. A cidade está satisfeita com o trabalho dele. Acredito que ele é e vai continuar sendo um bom político, porque tem tino administrativo e acima de tudogosta do povo. É importante você querer bem o povo.

O chamado “tempo novo” quebrou a hegemonia de 16 anos do PMDB.Mas também está completando 16 anos no poder. E agora?

E está acertando. Porque se não estivesse não continuaria. Em 98 o PMDB tinha exaurido toda a capacidade de inovação. O Iris Rezende, que é um grande administrador, cuidava única e exclusivamente das estradas, casas populares, ouginásios de esportes. Tudo muito à vista do povo. Casa popular fazia às margens das rodovias para dar visibilidade. O Iris tem uma capacidade grande de fazer obras. A parte social dele é realmente deficiente. Ele não cuida da parte social.

Mas o tempo novo se exauriu ou tem fôlego para continuar?

O tempo novo é sempre novo. Porque o Estado de hoje não é igual ao de 98, é outro, é diferente, se renova. É como a fênix, sai das cinzas, renova e continua prestando serviço à população. O tempo novo procura trabalhar na melhoria da qualidade de vida do povo. Será que chegamos ao reino do paraíso? Não, ainda temos muita coisa a fazer e a trabalhar.

Qual é o principal gargalo hoje?

Todo mundo fala segurança, saúde, mas nenhum povo se desenvolve sem educação. Tem que educar. Tenho dito que na propaganda de asfalto e estradaé preciso ensinar o cidadão a respeitar as leis. O nosso povo não respeita lei. O jeitinho brasileiro é uma forma desonesta de burlar a lei. Tirar proveito de tudo. Isso não é possível. Não basta apenas ensinar o cidadão a ler e escrever, a somar e multiplicar. Ele precisa ter também cultura de cidadania. O que é público é nosso e deve ser respeitado. O nosso vizinho e as leis de trânsito têm de ser respeitados.

Mas não há um grande clamor por Segurança Pública? Não falta maior efetivo das polícias?

Sempre falta. O secretário de Segurança Públicame falou do número de soldados que falta, ou seja, de policiais. Mas já houve um aumento substancial. Agora, não acho que seja só aumentar o número. Tem de preparar o cidadão. Se não tivermos um serviço de inteligência na polícia, o trabalho de andar na rua não é o bastante. Temos que inibir, masnão se acaba com o crime. Gostaria muito que se investisse também na inteligência da polícia. É muito importante porque previne o crime.

O senhor conhece o meio político desde 1958, quando foi eleito vereador. A corrupção aumentou ou sempre existiu?

Não, neste patamar não.É um absurdo o que acontece. A nossa principal empresa está envolvida em corrupção, a Petrobras. O respeito ao bem público era muito maior.

E outro vereador, eleito naquele ano, foi Iris Rezende…

Nós não éramos do mesmo partido, mas quando ele foi candidato a prefeito me chamou para fazer o planejamento de governo dele. Eu tive a honra de ter feito o plano de governo do Iris.

Quando Goiânia não tinha eleição direta, o senhor foi nomeado prefeito por Iris Rezende (1983). Por que o rompimento?

Porque os problemas políticos são pequenininhos, mas vão crescendo e de repente há uma ruptura. Tenho muita amizade e muito respeito ao trabalho que o Iris fez em Goiás. Pode ter certeza que ele é um dos homens que entram para a história de Goiás.

No início do mês Iris anunciou a pré-candidatura ao governo pelo PMDB, que tem outro pré-candidato: Júnior Friboi. Que análise o senhor faz?

Normalmente não entro na disputa do adversário. Adversário cuida dele por lá. Eu me preocupo com o de cá. É possível que o governador Marconi Perillo venha disputar novamente o governo. E trabalho para que o governador tenha sucesso nessa eleição. Se ele disputar com o Iris a possibilidade do Iris perder é grande.

Por quê?

Isso é uma brincadeira, masfalo que o Iris já está com o prazo de validade vencido. Todo cidadão tem atividade política durante um tempo. Depois para. O que fiz é o que está feito e não fiz mais porque não foi possível. Agora, insistir depois de uma determinada idade não é correto. Ele não vai ter sucesso. Se tivesse oportunidade de falar com ele eu diria: ‘oh, não candidata não, você já tem sua história, não perde mais uma vez não, deixe de ser candidato, deixe que o Marconi ou que outros saiam no seu lugar, mas não vai para governador não. Você não vai sair bem’.

Quando é esse prazo de validade?

Isso é sentido pelo próprio candidato. O (senador José) Sarney parece que não tem fim. Com 84 anosestá aí até hoje. Ele viu que perdia no Maranhão e foi para o Amapá. Quer dizer, não tem senso de limite. Não sabe até quando vai. Toda vida que tiver oportunidade vai. Agora, há pessoas que tem o equilíbrio de chegar a um ponto e falar: ‘tenho condições de administrar uma cidade, mas posso fracassar e não dar conta fisicamente do trabalho’.

O senhor previa isso, no ano 2000, quando era prefeito e preferiu não disputar a reeleição?Imaginava que poderia fracassar?

Eu podia não ter o mesmo desempenho que tive nas três outras oportunidades. E não gostaria de frustrar o povo, por isso eu resolvi me afastar e esperar que outro melhor do que eu me substituísse. Você tem de ter equilíbrio suficiente para sentir ‘não, já cumpri o meu dever, já dei o que podia dar à população’. Eu podia fazer mais o que? Mostrar mais o que? Já tinha feito um governo do agrado da maioria da população. Por isso cheguei à conclusão que bastava.

Em 94 o senhor já tentava unir a oposição, o que acabou acontecendo em 98. O senhor se candidatou a senador. Foi um sonho ser governador, faltou disputar o governo?

Não, não, se eu quisesse, teria sido. O Iris me chama e me diz ‘oh, agora é a sua vez’, mas eu estava na Prefeitura. E não tem nada melhor para mim do que ser prefeito. Então disse para ele: não, eu não quero. Quero continuar prefeito. Se tivesse dito que queria ser governador, teria sido candidato. Foi apenas um desentendimento que houve, eu não preciso lembrar nomes e nem nada. Mas na realidade senti que já devia sair do PMDB, porque o Mauro Borges, o Irapuan (Costa Júnior), a Lúcia Vânia, o Henrique Santillo tinham saído e eu também saí.

Por que essa ‘debandada’ de líderes no PMDB?

Dizem que o Iris é muito centralizador e quer tudo para ele. Não acho que seja bem assim. Mas tive um desentendimento, não preciso falar com quem, e resolvi sair. E quando saí, foi diferente. Juntei a oposição e ganhamos do Iris em 98. As pessoas queriam que eu saísse candidato. Falei não, sou prefeito e vamos arranjar um. Escolhemos o Marconi. O Marconi era deputado federal e a limitação de conhecimento dele era pequena. Nas carreatas íamos com o locutor falando ‘olha o Marconi aí, é o moço da camisa azul’,para identificar o Marconi com a população, porque o povo não sabia quem era Marconi. (apoio: Felipe Coz e Augusto Diniz)

Fonte: Jornal O Hoje


Urbanismo: Mercado volta a investir em bairros mais centralizados


Construtoras lançam prédios mais altos em setores como Marista, após liberação pelo Plano Diretor

Após um período de expansão em bairros periféricos, o processo de verticalização de Goiânia voltou a se concentrar na Região Central da cidade. Com terrenos mais caros e escassos, o setor da construção civil foca em empreendimentos cada vez mais altos, que já passam dos 40 andares, e estão transformando definitivamente a paisagem da cidade. Goiânia já tem o edifício mais alto do Centro-Oeste, com 44 andares distribuídos em 148 metros de altura, o que equivale a 3,6 vezes a altura do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (leia mais na página ao lado).

Os setores Marista, Oeste e Bueno, que antes sofriam limitações impostas por lei em algumas vias, voltaram a receber empreendimentos com as mudanças no Plano Diretor da capital, que permitiu, a partir de 2008, uma nova orientação do adensamento para pontos próximos aos corredores de desenvolvimento, como as Avenidas 90 e 85.

Só nas regiões Central e Sul foram lançados nos últimos dois anos 35 edifícios, a maioria de alto padrão e que, em alguns casos, chegam a custar R$ 7 mil o metro quadrado (veja quadro).

As construtoras estão direcionando seus investimentos para estes bairros que, pela localização privilegiada e boa infraestrutura, garantem alta rentabilidade na comercialização dos imóveis e atendem uma demanda represada desde o início dos anos 2000, quando passou a valer a limitação para a construção nestes bairros.

A Rua 135, no Setor Marista, é um exemplo claro da transformação que está alterando o perfil de algumas ruas residenciais. Até o início deste ano, a rua contava com apenas dois prédios em construção. Agora, parte das casas que ocupavam a via no início deste ano começaram a ser derrubadas e os terrenos já cedem espaço para estandes de venda dos empreendimentos verticais do bairro.

Numa extensão de três quarteirões (cerca de 500 metros), surgiram em menos de dois meses dois estandes de venda de empreendimentos e mais três casas foram derrubadas há poucas semanas para abrigar um novo empreendimento.

PARCERIAS

É justamente esta microregião, que compreende os quarteirões entre a Alameda Ricardo Paranhos e o Parque Areião, a bola da vez do segmento de alto padrão. O potencial de negócios nesta localidade é tão grande que as empresas estão investindo em parcerias com o setor público para revitalizar as ruas e avenidas.

Foi o que ocorreu com a pista de corrida da Ricardo Paranhos e acontece agora com a Alameda Dr. Sebastião Fleury, onde fica o acesso principal ao Batalhão Anhanguera. A via, que conta com um largo canteiro central, está sendo revitalizada pelas empresas Opus Inteligência Construtiva e a TCI Inpar, junto à Prefeitura de Goiânia.

Esta é uma estratégia adotada pelas construtoras para valorizar ainda mais seus empreendimentos e atrair compradores. Investimentos semelhantes foram feitos no Jardim Goiás, com a construção do Parque Flamboyant; na Praça da T-23, Setor Bueno, e entre o Parque Amazônia e o Jardim Atlântico, com o Parque Cascavel, locais onde já é possível avistar os sinais da crescente verticalização. Só na Praça da T-23 foram entregues três prédios no ano passado e outros quatro estão em construção.
Até 2007, explica o diretor da Opus, Dener Justino, bairros como Oeste e Marista sofriam limitação em seu processo de verticalização, o que mudou com o Plano Diretor.

Com a permissão conferida pela a nova lei, a empresa lançou seis empreendimentos nestes setores desde 2008, dos quais três foram entregues e outros três estão em construção. Outros dois serão lançados em breve. “Até agora, conseguimos acertar. Nos empreendimentos já entregues, todas as unidades foram vendidas”, destaca Dener. Segundo ele, um dos empreendimentos, o Great, teve valorização de 76% entre o lançamento e a entrega.

De casamento marcado, a bancária Marília Dayrell faz parte desses consumidores que têm preferência por morar em bairros mais centrais. Ela comprou um apartamento em construção no Setor Marista, que será entregue em 2016.

“Já moro no Setor Oeste e queria manter essa boa localização depois de me casar”, justifica Marília. A bancária conta que o imóvel já teve uma boa valorização desde a data da compra, feita há cerca de um ano.
A Dinâmica Engenharia também fez lançamentos no Marista, Bueno e Oeste. Este último vai abrigar o Poème, na Alameda das Rosas, que terá 37 pavimentos e será lançado no próximo sábado. Para chamar a atenção do público, um ramalhete de rosas gigante foi colocado no local.

“O Setor Oeste sempre foi o melhor bairro de Goiânia e todo mundo sempre quis morar de frente para a Alameda das Rosas”, acredita o diretor da empresa, Mário Valois. Porém, a oferta era limitada antes das mudanças no Plano Diretor da capital.

Oferta em setores mais afastados é mantida

Além dos bairros de alto padrão, como Marista e Oeste, que tiveram a verticalização liberada pelo Plano Diretor, o mercado imobiliário também concentra seus investimentos em bairros com potencial de valorização, como o Parque Amazônia e Jardim Atlântico.

“São locais que estão sendo muito procurados pela necessidade de lançamentos com preços mais acessíveis para o mercado”, explica o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-Goiás), Oscar Hugo Monteiro Guimarães.

Segundo ele, esses locais atendem a classe média que está chegando, como os novos casais que iniciam suas vidas agora e as pessoas que tiveram ganho de renda e buscam uma moradia melhor. “Essas pessoas vendem seus imóveis antigos para outras que também melhoraram o poder aquisitivo”, destaca Oscar.
Ele ressalta que, à medida que as áreas vão ficando mais escassas nos bairros nobres, os preços dos imóveis novos também vão subindo, pois incorporam o metro quadrado do terreno. Um lote num desses bairros nobres chega a valer R$ 1,5 milhão.

PROCESSO

O Ricardo Teixeira, diretor da Urbs-RT Lançamentos Imobiliários, concorda que o mercado local vive uma transformação, com terrenos cada vez mais escassos em locais nobres.
Por isso, afirma, muitas empresas precisam adquirir várias casas antigas, lado a lado, para terem espaço para seus empreendimentos. Já bairros como o Parque Amazônia e Parque Oeste Industrial ainda têm terrenos disponíveis, o que deixa o preço final do imóvel mais em conta do que aqueles onde a construtora adquire casas, por meio de permutas com seus moradores.

Por isso, Goiânia ainda tem essas duas situações: áreas centrais verticalizadas através de compra de imóveis antigos e áreas com bom potencial de valorização e mais terrenos disponíveis, que vão continuar expandindo. “Não é possível lançar empreendimentos a todo momento em regiões mais consolidadas, onde o custo é elevado e a operação mais complexa”, destaca o empresário.

Prédios fazem releitura de antigas construções

Muita gente quer um imóvel novo, mas sem sair do bairro onde sempre viveu. Apostando em bairros tradicionais, a City Soluções Urbanas lança o City Vogue Praça do Sol, no Setor Oeste, que terá apartamentos de 360 metros quadrados. O diretor da Incorporadora, João Gabriel Tomé, explica que foi feita uma releitura de edifícios vintenários daquela região, que ainda agradam muito seus moradores, mas com as atualizações.

“Percebemos que esse consumidor quer quartos grandes”, destaca. Uma suíte master tem 60 metros quadrados e a varanda e sala contam com 115 metros quadrados.

Para o diretor da FR Incorporadora, que também lançará um empreendimento no Setor Oeste, Pedro Borela, após as liberações feitas no Plano Diretor de 2007, o bairro voltou a despertar o interesse das incorporadoras por conta de toda infraestrutura que já oferece. Com o alto custo dos terrenos, cerca de R$ 4 mil o metro quadrado, dependendo da localização, o alvo são as construções de alto padrão.
“Como bairro já tinha uma tendência natural para a verticalização, os lançamentos sempre conseguem uma boa velocidade de vendas”.

Trânsito mais problemático na periferia

O POPULAR mostrou em reportagem publicada no dia 16 de março que bairros mais afastados que sofreram processo de verticalização recente, como o Residencial Eldorado, têm hoje um trânsito mais congestionado em horários de pico que a Região Central.
O problema foi agravado pela falta de investimentos em infraestrutura viária no período de adensamento. Mas nada garante que as vias da Região Central, que já contam com fluxo intenso, suportem a volta do processo de adensamento, já que não estão sendo feitos grandes investimentos para amenizar o impacto no trânsito destes bairros.

Mesmo assim, os empreendedores e consumidores vendem como atrativo dos bairros mais centralizados o acesso facilitado aos principais pontos da cidade. “Isso é essencial aos empreendimentos de alto padrão”, destaca Fernando Razuk, diretor de Incorporação da EBM.
O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário em Goiás (Ademi-GO), Ilézio Inácio Ferreira, vê com bons olhos o adensamento ao longo dos eixos de desenvolvimento. Ele lembra que são áreas nobres, com toda infraestrutura já implantada e todos os apelos de comodidade para os moradores.

Fonte: Jornal O Popular


Goiânia Urbanismo: Tendência de prédios cada vez mais altos


Com a escassez de terrenos, que estão mais caros,cidade passa a ter prédios com maior número de pavimentos

Com terrenos cada vez mais escassos e caros nas regiões mais nobres, e a demanda por unidades de alto padrão aquecida, os prédios cada vez mais altos são uma tendência na verticalização, como forma de obter maior aproveitamento das áreas reduzidas disponíveis para construir. É uma forma de as construtoras conseguirem ampliar a rentabilidade dos empreendimentos.

“Além disso, quanto mais verticalizado o espaço, melhor para o poder público, que precisa levar menos infraestrutura para bairros mais afastados”, defende Ricardo Teixeira, da Urbs-RT. Por isso, o Plano Diretor contempla essa maior concentração urbanística.

MAIS ALTO

O Premier Vision TCI, com 44 pavimentos, no Jardim Goiás, é o 22º prédio mais alto do Brasil. Porém, ele e o Premier Unique TCI (42 pavimentos) figuram entre as 10 torres construídas com maior número de pavimentos. A TCI tem se especializado no projeto e construção das torres que são as mais altas do Centro-Norte do Brasil, seguindo a tendência mundial de aproveitar o espaço para mais moradias.

De acordo com o gerente Comercial e Incorporação da TCI, Nicollas Bruno Di Carlo, uma torre mais alta possibilita perspectivas urbanas e vistas mais belas da paisagem. Por isso, os empreendimentos TCI estão localizados em terrenos estratégicos nos endereços mais valorizados e de paisagem mais bonita, como o Parque Flamboyant, Alameda Ricardo Paranhos, Parque Areião e Lago das Rosas. “Quando se constrói em vários pavimentos, se garante mais privacidade para cada morador e se consegue um condomínio mais baixo, sem a necessidade de construir plantas com muitos apartamentos por andar”, justifica.

Mas os projetos arquitetônicos estruturais e de instalações ganham maiores exigências nas torres altas, o que representa valor agregado. Também existe mais investimento em tecnologia: utiliza-se um número maior de elevadores e sistemas de alta velocidade.

CONFORTO

Segundo Nicollas, se possibilita muito mais iluminação e arejamento nas faces da torre e a temperatura nas cotas mais elevadas é bem mais amena, o que gera mais conforto. “Existia uma demanda reprimida por torres inovadoras em Goiânia, visto que a cidade esteve durante muitos anos sujeita a projetos de conceito mais arcaicos e não figurava como referência em modernidade”, afirma.
A Loft Construtora também deve entregar este ano o Residencial Ecoliving, no Setor Bueno, em frente o Goiânia Shopping, que terá 39 pavimentos e mais de 120 metros de altura, que abrigarão 66 unidades.

Plano Diretor muda concepção urbana

Muita gente que comprou casa em bairros nobres visando um perfil mais residencial, agora está vendo isso mudar. A arquiteta e urbanista Izabel Pastore, gerente técnica do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo e professora da PUC-Goiás, explica que os planos diretores anteriores contemplavam a cidade por tipo de uso, como residencial e comercial. Ele determinava uma taxa de ocupação para terrenos em cada região, ou seja, um limite de construção em relação à área.

Se um terreno em determinado local tinha 300 metros quadrados, só se podia construir até 300 metros nele, por exemplo, o que limitava muito a verticalização. Já em outras zonas, onde ela era permitida, era possível construir dez vezes o tamanho do terreno. Assim, alguns bairros ficaram mais residenciais ou comerciais.

DESCARACTERIZAÇÃO

Aí veio o Plano Diretor de 2008 que trabalhou com um planejamento mais voltado ao sistema viário, permitindo a verticalização no entorno das avenidas. Segundo Izabel Pastore, isso acabou com o conceito de zonas e criou uma única macrozona. “Dentro dela, se permitiu a verticalização nas proximidades das vias de transporte”, destaca. São os chamados eixos de desenvolvimento.
Essa lógica de mais densidade populacional onde há maior circulação é típica do planejamento urbano. Por outro lado, Izabel Pastore lembra que edifícios imensos descaracterizam o desenho original de bairros tradicionais da capital, como o Setor Marista e Setor Sul.

CERCADOS

Para ela, o pior é para os atuais moradores, que viviam numa zona residencial de baixa densidade e se sentiam protegidos pelos planos diretores, mas agora estão ficando cercados pelos “espigões”.
A urbanista também admite que, na lógica do planejamento urbano, isso ajuda a trazer mais movimento e até mais segurança para essas regiões nobres. Em outro ponto, a construção de grandes edifícios pode abalar a estrutura de construções mais antigas, que acabam rachando, como já aconteceu no Setor Marista. “Isso acaba fazendo muitos desses moradores antigos se mudarem para condomínios fechados, por exemplo, para fugir da verticalização”.

Fonte: Jornal O Popular


Novela da Globo mostra uma Goiânia que não existe mais

Ao retratar o goiano como uma espécie de aborígene, “Em Família” despertou a discussão sobre a formação da identidade de quem vive fora do centro de desenvolvimento do país

Fotos mostram a Goiânia real nos anos de 1951 (acima) e 1977 (à dir.), enquanto “Em Família”, nos anos 2000, retratou a capital goiana em 1980 como uma espécie de haras
Marcos Nunes Carreiro
Maria chega em casa, liga a TV, vai ao quarto, tira os sapatos e os joga desajeitadamente em um dos cantos. Está atrasada para ver o segundo capítulo da nova novela da Rede Globo, “Em Família”. Culpa do trânsito de Goiânia, que está a cada dia mais cheio com o número exacerbado de carros. Vai ao banheiro para lavar as mãos, jogar uma água no rosto e “... a espera de viver de viver ao lado teu por toda a minha vida”. São as palavras finais de “Eu sei que vou te amar”, música composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes e interpretada por Ana Carolina na abertura da novela.
Maria nem é, como dizem, noveleira. Mas assistiu ao primeiro capítulo e estranhou como Goiânia foi retratada. Muitos cavalos, gente vestida de roupa xadrez, chapéus… 
–– Tudo bem ––, disse ela ao marido na noite anterior. –– Essa parte da novela se passa na década de 80, então dá para entender um pouco. Contudo, ela não estava muito feliz com a ideia. Ela sabia que na década de 80, já não havia pessoas passeando de cavalo por Goiânia. Ela viveu aquela época e a capital de Goiás, que passava dos seus 50 anos de existência, já desenhava ser a metrópole que é nos dias atuais.
Ela demorou mais do que pretendia no banheiro e voltou correndo à sala, a história fluía na TV e já não se passava mais na década de 80 e sim no início da década seguinte. Maria chegou a tempo de ver Helena, a personagem principal, fugindo de uma grande escola. Blusa branca, saia de prega, meias altas e mochilas nas costas. A adolescente corria escadas abaixo e, ao virar da rua, chama um táxi ao lado do prédio do Tribunal de Contas do Estado. 
–– Espera. Ela está na Praça Cívica. Essa escola deve ser no Rio –– fala Maria.
Mas tudo bem. É uma cena de corte. Nada demais. Helena, então, vê um táxi que, despretensiosamente passava pelo local e o chama. Um Gol “quadrado” branco. Entra no carro, diz ao motorista para seguir logo, pois Laerte, seu par ro­mân­tico, está descontrolado e atrás dela. O motorista sai cantando pneu no meio da Praça Cí­vica e na cena seguinte para em frente a uma casa modelo imperial numa rua com calçamento de pedra. Maria se espanta. A cena em questão foi gravada em uma cidade com tom interiorano e antigo, provavelmente na parte histórica de Pirenópolis ou cidade de Goiás. Porém, na trama, Helena ainda está em Goiânia. Maria desliga a TV e busca o livro que precisa terminar antes do fim da semana.
Esse “vai e volta” dos takes utilizados para “montar” Goiâ­nia não pareceu estranho apenas a Maria, mas a grande parte dos goianos, sobretudo aos goianienses, embora normal em gravações de filmes, novelas e séries de TV. São as chamadas cenas de corte. Gravadas as cenas, os cenários são montados na edição. A questão apontada por quem assiste “Em Família” é que a trama criada pelo autor Manoel Carlos faz com que a capital de Goiás, uma cidade moderna, pareça ser uma cidade nos moldes que foi em décadas muito anteriores, com muitos cavalos e chapéus. Um erro grave, uma vez que remonta ao velho estereótipo levantado pelo cantor Roberto Carlos de que Goiânia é uma “fazenda asfaltada”.
Mas nem todas as cenas gravadas em Goiás se passam na capital. “Em Família” também conta com uma cidade goiana fictícia. Trata-se de Esperança. De acordo com o site oficial da telenovela, Esperança está localizada no interior de Goiás, local em que se passam momentos marcantes das personagens principais. E para criar este cenário, segundo a produção, “os moradores da Cidade de Goiás embarcaram junto com a produção da novela na tarefa de ambientar a cidade”. Cerca de 100 moradores aceitaram trabalhar na figuração da trama.
E não apenas moradores da cidade histórica. Três atores de Goiânia foram convidados a participar das gravações realizadas na antiga capital de Goiás. Se­ma­nas antes de Maria chegar em casa ofegante para ver o segundo capítulo de “Em Família”, os atores Cássio Ne­ves, Niara Moura e Mateus Abreu estavam trabalhando em algumas das cenas iniciais da novela.
Cássio é ator e jornalista. Atuou em algumas cenas do capítulo de estreia da trama e, embora ache que o autor não tenha tido a intenção de denegrir a imagem de Goiás, admite que a visão do goiano apresentada em rede nacional foi levada para o campo do caricato, pois, segundo ele, desenhada na figura do goiano como o interiorano, sertanejo. “Essa é, aliás, uma característica até imposta ao goiano para mostrar algo que o goiano já não era naquela época. O goiano está mais evoluído do que a imagem que geralmente é dada a ele. Em algum passado remoto talvez tenhamos sido dessa forma, mas o progresso chegou e muito disso se desfez. De fato, alguns gostam de rodeio, de fazenda, etc., mas não é regra”, diz ele.
Niara aceitou o convite para participar da novela por ser uma boa oportunidade em sua carreira como atriz. Engenheira civil, porém, quando viu o tom das gravações de que participou na cidade de Goiás, a animação da jovem atriz começou a esvair. “Eles distorcem muito”, diz ela hoje. “A ideia que eles passam de Goiânia não é real. Parece que aqui só tem gado e carroça. Então, foi muito interessante durante as gravações, pois foi uma experiência boa para minha carreira como atriz, mas, só por esse motivo, não sei se faria de novo”.

Preparados para a festa de peão 
Mateus Abreu representou um cidadão da cidade fictícia de Esperança em uma das cenas de rodeio mostradas logo no início da novela. Ou seja, todos devidamente caracterizados com seus chapéus, botas e camisas xadrez. Em relação a isso, nenhuma reclamação, afinal, as pessoas se vestem assim (e não apenas em Goiás, vide Barretos, em São Paulo) quando vão para uma festa de peão. A questão é que, nos últimos capítulos, essa visão foi estendida para todos os goianos. “As últimas cenas que retratam Goiânia contam também com a presença de pessoas vestidas como se fossem para uma festa de peão”, relata o ator.
Um exemplo: a cena de exposição das obras de Virgílio, personagem do ator Humberto Martins. Virgílio é artista plástico e na sua exposição, que foi realizada em Goiânia, estavam todos vestidos como se fossem para uma festa de peão. E agora? Mateus diz não entender o porquê.
“Não sei se a produção da novela fez de propósito, mas acho que se esqueceu de atualizar a cidade. Ou seja, continuaram mostrando a mesma Goiânia que foi representada nos anos 80. Não sei se eles quiseram prestar algum tipo de homenagem que nós não entendemos. Mas estranho o fato de acharem que todos aqui se vestem assim o tempo todo. Goiânia é uma cidade bem eclética. É uma metrópole e a característica de uma metrópole é justamente essa. Hoje, assim como em São Paulo, ou Rio de Janeiro, em Goiânia é possível se encontrar de tudo.”
O safári cultural da neocolonização 

Luana Alves Luterman, que é doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e professora no curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em Inhumas, assim como a personagem fictícia Maria, também viu ao primeiro capítulo de “Em Família” e, como a última, achou um absurdo. Via Facebook, a professora conversou com a reportagem acerca do tema. Para ela, ao apontar para o estereótipo da selvageria e primitivismo goianos, a novela se descontextualiza.
A pergunta feita foi: “Ana­li­sando o discurso empregado pela novela, quem é o goiano?”.
Eis a resposta de Luana: “Para nós, goianienses (me sinto assim, apesar de carioca na identidade), como espectadores, é ainda pior, pois sabemos que não estamos em terras tão longínquas e ermas as­sim. Aliás, onde há grande sertão, se as veredas são multifacetadas pela grande rede que nos globaliza? Se considerarmos a visão dos neocolonizadores internos, RJ, SP, com certeza temos aqui um safári, seja cultural ou territorial. É difícil generalizar ou estereotipar, pois muitos goianienses também vão se posicionar favoravelmente aos neocolonizadores internos. Porém, no século 21, com certeza não vivemos isolados, [a cidade de] Goiás não é dis­tante de Goiânia, nossos meios de transporte não se restringem a burros ou cavalos, como a novela retratou no primeiro capítulo que vi.”
A professora considera estapafúrdia a abordagem cultural, que, de acordo com ela, apresenta os goianos como uma população autóctone, sem contato externo, retrógrada nas ações e pensamentos sobre o amor, romântico e ideal, imaculado e sagrado. “É pre­ciso avisar à [Rede] Globo que temos muita Valesca Popozuda por aqui. Ah, sim, o amor romântico é retrógrado, rsrsrsrs... e eu moro em Goiás. É preciso avisar à [Rede] Globo que a atrasada é ela”, aponta.
A professora mestre em Lin­guís­tica Vera Lucia Paganini tam­bém respondeu à questão. Ela, que já assistiu a vários capítulos, acredita que a falha na representação do goiano de “Em Fa­mília” é apenas o jeito descuidado que a Rede Globo tem de tratar a ficção. Segundo ela, desta vez foi com Goiás, mas falhas semelhantes já ocorreram com outros Estados como o Mato Grosso, na novela “Pantanal”, além de Estados do Nordeste brasileiro.
“Com esta prerrogativa de que a ficção não precisa ter compromisso com a verdade, fazem uma pesquisa superficial sobre a cultura dos locais fora do eixo Rio-São Paulo, ainda, infelizmente, considerados únicos centros urbanos do Brasil para a TV, e vão alinhavando chavões que o povo gosta de escutar: confusões e cenas de violência para a catarse popular, ‘discussões’ de temas ditos polêmicos para fazer o povo pensar e pronto! Não há grandes filosofias nisso. Há produto de comércio rápido. Agora, que o Sudeste e o Sul pensam que nós somos uma enorme lavoura cercada de pastagens e gado, isso é fato!”, analisa Vera Lucia.
Porém, fora a revolta dos goianos, as falhas de pesquisa e criação vistas na novela do autor Manoel Carlos, afetam mais a Goiás do que propriamente ao morador do Estado. É certo que Goiás tem tentado, nos últimos anos, se mostrar como um Estado moderno, que está entre as dez maiores economias do país. Isto é, um Estado que transita rapidamente entre uma base histórica ligada à agropecuária e um processo de industrialização que caminha a passos largos. A promoção de festivais internacionais, por exemplo, denotam a dinâmica e a força de uma cena cultural em expansão. Esses fatores já são suficientes para desmentir qualquer alusão a estereótipos negativos ou de ligação ao passado. 
Mas só sabe disso quem entende aquilo que se passa em Goiás. É uma questão quase que puramente antropológica. A isso se associa a revolta do goia­no com a novela glo­bal. Afinal, tirado o “complexo de vira-latas” que acomete gran­de parte dos brasileiros, o goiano tem de si a mais benéfica visão possível, como aponta o historiador e professor da UFG Nasr Chaul. “Amável, acolhedor, por vezes tímido, mas extremamente consciente de seus valores e tradições, o goiano é orgulhoso de sua identidade e de sua história”, afirma. Assim, o estrangeiro que con­segue entender Goiás o traduz de forma elevada, a exemplo do pintor italiano Frei Confaloni, do artista plástico alemão Gustav Ritter e do historiador hispano-brasileiro Luis Palacín, que chegaram a Goiás e “ficaram por puro encantamento”.
Dessa forma, Goiás não pode ser tomado como um Estado atrasado, nem os goianos como Jecas Tatus, de acordo com aquela visão do escritor Monteiro Lobato. Do ponto de vista literário, como mostra Chaul, “estamos mais para as Veredas de Carmo Bernardes e para o Grande Sertão de Rosa”. Para ele, esse conceito de atraso atribuído a Goiás é uma “balela”, que encontrou respaldo no período coronelístico vivido pelos goianos. Afinal, a essa época, acreditou-se que os coronéis procuravam manter o “atraso” do Estado para melhor dominá-lo.
“Isso cai por terra quando se observa o quanto de desenvolvimento econômico e participação política tivemos na Primeira República, principalmente de­pois da implantação dos trilhos da Estrada de Ferro em 1913 em Catalão, desenvolvendo em muito o Sul e, potencialmente, o Sudoeste do Es­ta­do que, no pós-30, exige uma nova capital e a reorganização das forças políticas. O desenvolvimento da­quela época, aquela modernização possível, não tirou nenhum coronel do po­der ao longo da Primeira Re­pú­blica, muito pelo contrário”, reconta Chaul. Logo, essa pe­cha de atraso, que volta-e-meia retorna do mundo do simbólico, já não encontra respaldo nem justificativa no mundo real.
Quem é o goiano, afinal?
Quando se pergunta “quem é?” remete-se à identidade da terceira pessoa a qual a pergunta se refere. Em relação a uma pessoa já é complicado, quiçá quando se trata de um povo. Logo, essa questão de identidade não é algo simples, nem acabado.
A identidade é relacional. Como assim? Tomando o caso de Goiás como exemplo: se analisada a identidade goiana em relação a Brasília, tem-se uma. Em relação ao Rio de Janeiro, tem-se outra. É o que diz o antropólogo Marco Lazarin. De acordo com ele, não há como identificar uma identidade se não a contrapor com outra.
Em Brasília, por exemplo, existem os estereótipos que apontam os goianos como atrasados, que não cumprem regras, que não sabem dirigir, etc. Esses estereótipos foram construídos tendo como base a própria identidade do “candango”. Isto é, aquele que é evoluído, que cumpre as regras e que sabe dirigir.
Porém, Lazarin aponta também que há outros agravantes nessa análise, uma vez que dentro de uma comunidade como Goiás, por exemplo, há várias outras identidades que se contrapõem entre si. E, nesse contexto, existem grupos que acabam por predominar sua visão de identidade sobre os outros. “Não existe um conceito claro em relação a isso. São padrões de modernização baseados na evolução tecnológica e de certos costumes. Isso demonstra, inclusive, que esses estereótipos feitos de fora para dentro, não se adequam, por exemplo, ao que o goiano pensa de si mesmo”, diz.
Sobre os estereótipos de atraso em relação a Goiás, o antropólogo afirma que essa visão dos grandes centros, como Rio, São Paulo e Brasília, não é voltada especificamente para Goiás. “Essa é a visão que se tem em relação ao interior em si. São os estereótipos que fazem as ligações com os costumes rurais, etc. Mas a grande questão aí é que o pensamento de que existe uma identidade generalizada, leva a certa distorção daquilo que é real”.

ARTIGO
A bordo da pluralidade, optaram pelo mais fácil 
A Análise do Discurso (AD) não costuma tratar o sujeito como indivíduo (sujeito falante), isto é, como uma instância plena de individualidade. Mas o toma como um ser social, apreendido em um espaço coletivo, dotado da existência que provém dos espaços sociais e ideológicos. Ou seja, o ser (sujeito falando) é analisado pelo que ele é: fruto da polifonia, resultado dos vários discursos, inserido nas vastas noções de heterogeneidade.
Dito isso, analisemos a questão central levantada anteriormente: a identidade. A identidade deve ser apresentada como produto das relações sociopolíticas presentes na sociedade. Logo é inacabada, uma vez que essas relações não se esgotam, assim como as transformações de que sofre ao longo do tempo. Assim, é possível afirmar que a identidade tem caráter transitório, mutante, uma vez que decorre de certa instabilidade constituída pelas relações discursivas.
O que quero dizer é que, dado o caráter plural da identidade e tendo em vista que o sujeito é produzido no interior dos discursos, sua identidade é resultado das interações e posições desse sujeito em relação aos discursos que o formam. Isto é, ao longo da evolução natural do ser humano, o sujeito assume múltiplas identidades, o que nos leva ao ponto central: o sujeito nunca será o mesmo nos diferentes momentos e lugares em que se encontra, pois, assim como o mundo, está sempre em movimento.
Dessa forma, a identidade do goiano, por exemplo, não é –– nem pode ser –– a mesma vista de dentro ou de fora. Ela é multi. Então, como representá-la em uma telenovela? Isso nos leva a alguns pontos:
Para representar é preciso, primeiro, entender. Quando se trata de audiovisual, então, é preciso ter em mente que o discurso não é apenas oral. Pelo contrário, os significados estão quase primordialmente naquilo que não é oral. Assim, o estudo de cenários, figuração e intenções é primordial na confecção dos discursos que permearão algo a ser veiculado em rede nacional, sobretudo em um país continental e cheio de estereótipos como o Brasil. É preciso estudar bem o que se representará para não causar dissabores.
Nesse ponto chegamos à problemática de “Em Família”. Não se pode dizer que Manoel Carlos quis depreciar, propositalmente, os goianos. Afinal, a intenção inicial da trama se passar no lado periférico do Planalto Central era justamente a de atrair a audiência perdida para as emissoras menores –– tomando por pressuposto que a Globo é a maior emissora de rádio e TV do país. Tendo em mente que o discurso apresentado geralmente nas novelas do horário nobre Global, é voltado à elite, pode-se dizer que a intenção de apresentar ao Brasil uma Goiânia sertaneja foi homenagear aos ricos de Goiás.
Por que não? Não se pode negar que Goiás é um Estado rico e dedicado à agropecuária. Provém da terra a riqueza dos bilionários goianos. Existem riquezas oriundas de outros ramos? Obviamente, sobretudo em Goiânia, uma capital tomada por vastos recursos imobiliários e aquecida pela construção civil. O Estado está se industrializando, logo surgirão novos ricos em breve. Porém, o carro-chefe ainda está no setor rural, que, ao contrário do que se pensa, é um dos mais adiantados do país, tecnologicamente falando.
Dessa forma, Manoel Carlos pode ter prestado uma homenagem que não entendemos? Sim. Contudo, se não entendemos, é porque algo faltou. O que seria? Provavelmente pesquisa. O que faltou a Manoel Carlos foi, como disse a professora Luana Luter­man, um espírito de Guimarães Rosa, que pesquisou incansavelmente a região sertaneja de Minas Gerais antes de deitar a pena à criação de Riobaldo e seu Diadorim. Com certeza, haverá algum de vocês leitores que se arrepiará à heresia de comparar “Grande Sertão: Veredas” com uma telenovela. Mas é necessário fazê-lo. Afinal, ainda bebendo em Luterman, não seria um paradoxo o fato de que os escritores de ontem, como Rosa, terem fundamento analítico para retratar seguramente uma região, enquanto seus contemporâneos, apesar de todos os recursos tecnológicos, sequer se aproximarem disso?
Faltou informação. Não compreenderam o tempo transcorrido entre duas capitais –– a de 1933 e a de 2014. Não entenderam que a Goiânia, que já era moderna na data de sua fundação, com seus prédios em Art Déco, tornou-se ainda mais moderna ao crescer mantendo os traços originais feitos por Atílio Correa Lima e Armando Augusto de Godoy. E a falta de informação acabou por mesclar o urbano real ao rural simbólico, na contraposição inevitável entre o sertão e o litoral. Logo, sem o discernimento necessário aos formadores de opinião vislumbraram apenas um lado da história. Viram as cavalhadas de Pirenópolis, a dança dos calungas e a procissão do fogaréu, mas se esqueceram do restante.